DEUS, O SER ÚNICO POR EXCELÊNCIA, O ÚNICO QUE MERECE ESTE NOME.

 

 DEUS

“Deus, o ser único, o ser por excelência, o único que merece este nome” (Cavallera)

“Nisto deves meter todo o teu empenho que Deus cresça em ti” (Tauler)

 

PARÁBOLA

 

A Revolução das Árvores

Um altaneiro jequitibá concedeu um plano arrojado.“Irmãs, disse ele às árvores da selva, deveis saber que a terra nos pertence. Vede, homens e animais dependem de nós. Alimentais as vacas, as ovelhas, as aves, as abelhas, tudo enfim vive de nós: somos o centro de tudo. Só um poder há acima de nós: é o sol. Verdade é que dizem depender dele nossa vida. Mas eu estou convencido que isso não passa de fábula para meter-nos medo.

Ora, não podemos viver sem o sol? Lenda antiquada,supersticiosa, indigna de plantas modernas e esclarecidas.”

Pequena pausa. Umas figueiras seculares e um cedro majestoso de idade avançada, meneavam suas copas em sinal de desaprovação. Mas as árvores novas aplaudiam freneticamente de todos os lados.

O jequitibá retomou o arremesso e continuou: “Bem sei que há entre nós uma facção de ignorantes e atrasados, o partido das velhas que ainda acreditam em fábulas.

Eu, entretanto, sou pela autonomia e pela independência da nova geração vegetal. É tempo de sacudirmos o jugo do sol. Vamos à luta pela liberdade; ó velho lampião do céu, teu reino findou.”

Uma tempestade de aplausos estrugiu no ar. O entusiasmo juvenil abafou os protestos das árvores velhas. “Comecemos, pois, comandou o jequitibá. Durante o dia interromperemos toda a atividade e passaremos a viver só durante a noite, escura e misteriosa. De noite haveremos de crescer, deitar os brotos, florir, exalar o perfume,frutificar: não precisamos do sol. Somo livres”.

Nos dias seguintes os homens observavam um fato estranho. O sol resplandecia com todo o seu brilho. Seus raios quentes enchiam o ar. As flores, porém, inclinavam teimosas as cabecinhas para a terra, fingindo dormir. As árvores deixavam pender as folhas. Todas as plantas desprezavam o astro-rei. À noite abriam-se as corolas, as flores voltavam-se para a luz pálida da lua e para o firo cintilar das estrelas.

Durou isso alguns dias.

Pouco a pouco surgiram curiosas alterações nas plantas. Os cereais, antes levantados para o sol, jaziam por terra. As flores empalideceram e secaram. As folhas amareleceram e caíram. Murmurações ouviram-se então contra o Jequitibá. Este, apesar de ver suas folhas amarelas e secas, continuava teimoso:

“Tolas que sois! Ainda não percebestes que agora sois muito mais belas e interessantes, mais livres e independentes.

Doentes, vós? Qual nada! Agora sois nobres, aristocratas”.

Algumas coitadas davam crédito e murmuravam à noite, cansadas e exaustas: “Estamos belas, ficamos nobres,independentes”. A maioria, porém, percebeu a tempo o perigo e reconciliou-se com o sol.

Quando entrou a primavera, o jequitibá lá estava de galhos desnudos, ressequidos, em meio à selva que renascia cheia de vida, repleta do gorjeio dos pássaros. Suas estultas doutrinas estavam esquecidas. Em redor dele o perfume das flores subiu cheiroso rumo ao sol e as copas folhudas das árvores inclinavam-se agradecidas para o astro-rei (Joergensen).

Extraído do livro do Padre João Beting CSsR Teologia das Realidades Celestes

por euvimparaquetodostenhamvida