O cardeal Fernando Sebastian Aguilar assegurou numa entrevista a ‘À Verdade’ que «a Igreja não vai mudar a doutrina porque a essência da Igreja é conservar no mundo a doutrina de Jesus. A Igreja não pode ser infiel a Jesus porque deixaria de ser a Igreja».

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NÃO PODE SER INFIEL A JESUS PORQUE DEIXARIA DE SER A IGREJA»

Cardeal Fernando Sebastian Aguilar: «a Igreja não pode nem vai mudar a doutrina» sobre a família

O cardeal Fernando Sebastian Aguilar assegurou numa entrevista a ‘À Verdade’ que «a Igreja não vai mudar a doutrina porque a essência da Igreja é conservar no mundo a doutrina de Jesus. A Igreja não pode ser infiel a Jesus porque deixaria de ser a Igreja». Também acrescentou: «Os que temem que a Igreja mude a doutrina, podem ficar tranquilos que nãovai mudar. E os que desejam que a Igreja mude a doutrina, que esperem sentados porque não vai mudar».

22/11/14 – infocatolica.com – Entrevistas

(La Verdad/SIC/infoCatólica) O arcebispo emérito de Pamplona, que nos dias 5 e 6 de novembro deu uma conferência na paróquia de São Miguel de Pamplona sobre o Sínodo da Família, também insistiu em garantir a autenticidade dos matrimônios que se celebram na Igreja. Deu uma entrevista para Raminie Guiritan para ‘À Verdade’.

Que ambiente se sentia no Sínodo da família?

O ambiente que o Papa Francisco criou no discurso da inauguração: «Falem com liberdade, escutem com humildade». Portanto havia muito ambiente de liberdade, de fraternidade. Havia também preocupação porque se vê um panorama muito complicado do casamento e da família no mundo inteiro: muita secularização de vida, muitos casais de fato, muitos divórcios, com o mal que isto significa para a educação das crianças, perda da capacidade educativa da família. Em fim, havia preocupação.
Por outro lado, uma vontade pastoral entusiasta (porque o Papa comunica entusiasmo) de dizer que tem que renovar a pastoral e o trabalho das comunidades cristãs para oferecer às novas gerações dentro da Igreja e à sociedade o tesouro que temos, que é a visão cristã do casamento e da família, fundada em um amor irrevogável, em um amor sincero, generoso, sacrificado, que é o melhor contexto para que nasçam as crianças e para que cresçam felizes. Depois o Sínodo é uma grande experiência da universalidade da Igreja.

Qual papel teve o senhor no Sínodo?

-Eu não tive um papel extraordinário. Na primeira semana, que são com sessões plenárias, todos os assistentes podem intervir durante quatro minutos. Eu fiz uma intervenção como tantos outros, reivindicando uma melhor preparação para o casamento começando já desde a iniciação cristã dos adolescentes.

Como é o Papa em seu trato de perto?

O trato com o Papa é muito afável. Assistiu todas as sessões plenárias. Ele vinha andando conosco desde Santa Marta até a aula sinodal, que está há uns 200 metros, e vinha falando muito amigavelmente. Ele comia no refeitório um pouquinho afastado porque comia com seus secretários, mas no café da manhã e no jantar era self-service, e ele ia com seu prato como nós para pegar seu jantar. Tem um trato muito afável, muito próximo, muito simples, que dá muita confiança e claro que com muito respeito porque ele não deixa de ser o Papa. Por ser tão simples, próximo e tão humilde em suas manifestações, isso quando agradecíamos muito. E depois, ao entrar e ao sair quando acabavam as sessões, sempre saudava uns e outros, e se entretinha um bom tempo falando com todo o mundo.

Dizem que o Papa Francisco via você como teólogo

Ele foi provincial da Companhia de Jesus na Argentina nos anos do Concílio e na época publiquei dois livros sobre a Vida Religiosa e esses foram os meus primeiros livros que o Papa conheceu. Veio aqui no ano de 2006 para dar alguns Exercícios Espirituais para os bispos nhóis, mas como me conhece?» Respondeu-me: «Conheco-o porque venho lendo faz muitos anos», ou seja, me conhece pelas publicações.

Os meios dizem que a Igreja vai mudar sua doutrina sobre a família

É uma má informação. A Igreja não vai mudar a doutrina, nem pode mudar a doutrina, porque a essência da Igreja é conservar no mundo a doutrina de Jesus. A Igreja não pode ser infiel a Jesus porque deixaria de ser a Ireja. Se vamos em um barco para salvar pessoas e em vez de fazer subir as pessoas na barca nós lançamos elas na água, nós perdemos todos. Trata-se de ajudar as pessoas a conhecer e a viver a doutrina de Jesus. Nós não podemos renunciar e trair a doutrina.
Além disso, o problema que quer abordar o Papa no Sínodo não é um problema doutrinal. A doutrina do casamento e da família a temos muito clara. É um problema prático e pastoral, que é fazer que os cristãos e não cristãos descubram o valor do amor fiel, do amor irrevogável, do amor generoso, do amor sacrificado como fundamento da convivência. O amor que Jesus nos revelou entregando-se por nós: esse é o verdadeiro amor. Essa doutrina é assim e não temos porque mudá-la. O problema é as pessoas descobrirem e viver.
O problema é que cada vez vemos que se casam menos pessoas, se casam menos pela Igreja, há mais divórcios, ou seja, as pessoas estão fugindo, desconhecendo o valor do amor irrevogável que, no entanto, é o clima que faz mais feliz na vida as pessoas.
O que faz falta é voltar a redescobrir o amor que Jesus nos trouxe a este mundo e vivê-lo na família. Os que temem que a Igreja mude a doutrina, que fiquem tranquilos que não vai mudar. E os que desejam que a Iglesia mude a doutrina, que esperem sentados porque não vai mudar. Nem vai mudar sobre o casamento, nem vai mudar sobre o divórcio, nem vai mudar sobre a homossexualidade, nem vai mudar sobre nada. O que queremos mudar é o serviço, a solicitude, a proximidade, a proposta, para que as pessoas descubram a ideia cristã da família e que vivma mais felizes.

Em que sentido se diz que o casamentoo é missão?

Os casais cristãos são os primeiros catequistas de seus filhos. As crianças, os jovens têm que descobrir o valor da fé, têm que enamorar-se de Jesus e de sua vocação de serem filhos de Deus em sua família. A família é que nos ensina a sermos pessoas e a vivermos humanamente. Dentro desse ensinamento humano entra o conhecimento de Jesus, o conhecimento de Deus, a maneira cristã e santa de tratar os demais, a vida eterna; ou seja, no marco da educação familiar é onde temos que receber a educação cristã e onde mais profundamente a recebemos porque ninguém tem tanta influência sobre nós como nossos pais e nossos irmãos nos primeiros cinco anos de vida. Esse é o momento de por no coração das crianças os elementos fundamentais da fé e do espírito cristão. Pois bem, está claro que a Igreja faz muito em defender e garantir a religiosidade das famílias e da vivência da oração e da vida cristã no seio das famílias, porque é a principal causa para a transmissão da fé para as novas gerações. Se não existe famílias cristãs, não existe jovens cristãos. E se não existe jovens cristãos, não pode haver vocações nem para o sacerdócio, nem para a Vida religiosa, nem para nada.

Tem alguma mensagem para os leitores de ‘A Verdade’?

Que rezemos pelo êxito do Sínodo em sua segunda assembleia que será em outubro de 2015 e que acompanhemos o Papa Francisco nesse desejo sincero e profundo da renovação cristã do casamento e da família. Isto é decisivo para o bem da Igreja e para o bem da humanidade.

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por euvimparaquetodostenhamvida