Hermann Cohen, padre Agostinho Maria do Santíssimo Sacramento De judeu a carmelita após um presente de Liszt, uma dívida de jogo e uma bênção com o Santíssimo.

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De judío a carmelita tras un regalo de Liszt, una deuda de juego y una bendición con el Santísimo

Hermann Cohen, padre Agostinho  Maria do Santíssimo Sacramento
De judeu a carmelita após um presente de Liszt, uma dívida de jogo e uma bênção com o Santíssimo.

Após sua profissão carmelita Hermann Cohen se consagrou especialmente à conversão dos judeus, e conseguiu com vários membros de sua família.

Luis J.F. Frontela / OCDCastilla.org – 20 setembro 2014 – religionenlibertad.com

Com Hermann Cohen, o padre Agostinho Maria do Santíssimo Sacramento (1820-1871), conhecido popularmente como Padre Hermann, nos encontramos com um personagem típico do século XIX: judeu que vive na indiferença da fé e na prática em um momento de crise da consciência judia, jovem músico que conhece a fama, empedernido jogador cheio de dúvidas e de credores, convertido à fé católica e logo religioso e sacerdote carmelita, e como tal um dos pilares do processo de restauração católica que se dá na França em meados do século XIX.

O grande Liszt, no início de sua conversão
Na altura de 1837, diante do convite que lhe fez Liszt de ilustrar-se um pouco com a leitura de algumas obras filosóficas e o presente que lhe deu de uma Bíblia, onde pôs a seguinte dedicatória: “Bem aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”, Hermann teve desejos de se converter, mas ele mesmo confessa que não sabia qual, se ao catolicismo ou ao protestantismo. Estes desejos passaram rápido. Será em 1847, quando cheio de dívidas contraídas com o jogo, 30.000 francos, para o qual necessitaria de dois anos para pagar seus credores, sucede um fato que muda radicalmente a vida de Hermann, o golpe da graça.

Remorsos na bênção do Santíssimo
O fato da conversão relata ele mesmo Hermann em carta ao sacerdote, judeu convertido, Alfonso Maria de Ratisbona. Foi numa sexta-feira do mês de maio de 1847, quando o príncipe de Moscou pede a Hermann que lhe substitua na direção de um coro que dirigia na igreja de Santa Valéria em Paris. Hermann, que vive na vizinhança, vai lá com gosto: “Aceitei, inspirado unicamente por amor a arte musical e pela satisfação de fazer um favor”. E no ato final da bênção com o Santíssimo, experimenta “uma estranha emoção, como remorso por tomar parte na bênção, na qual carecia absolutamente de direitos para estar compreendendo”. O mesmo nos disse que a emoção era grata e forte, e que sentiu “um alívio desconhecido”, e termina dizendo que “me vi obrigado a inclinar-me até o chão, sem que usasse minha vontade”.

Hermann voltou à mesma igreja nas seguintes sextas-feiras e, sempre no ato em que o sacerdote benzia com a custódia os fiéis ajoelhados, experimenta a mesma comoção espiritual, caracterizada pela emoção, o remorso e o alívio. Passado o mês de maio, e com os atos em honra de Maria, Hermann continua indo cada domingo a Santa Valéria para assistir à Missa, e sente a necessidade de conhecer a piedade e a doutrina cristã.

Mudou de opinião sobre os sacerdotes
O mesmo nos conta que em casa de seu amigo Adalberto de Beaumont, onde vivia, pegou um velho devocionário da biblioteca, e entrou em contacto com o padre Legrand, da cúria do Arcebispado de Paris, a quem qualifica de “homem instruído, modesto, bom, franco, esperando tudo de Deus e nada para si mesmo”. O contato com este eclesiástico produz nele um efeito positivo, deixa de lado os preconceitos que tinha com os sacerdotes, fruto de suas leituras e dos comentários sobre os mesmos nos círculos em que se tinha envolvido. Para ele, e até esse momento, os sacerdotes, dos quais tinha medo, eram uns intolerantes, que sempre “têm nos lábios a ameaça da excomunhão e a condenação às chamas do inferno”. Considerava-os “seres anti-sociais, e os monges via como monstros, iguais a antropófagos”

Lágrimas na elevação
No começo de agosto, devido aos seus compromissos, abandona Paris para ir dar um concerto em Ems, Alemanha. A primeira coisa que faz ao chegar a Ems, em 7 de agosto, foi visitar o pároco da igreja católica. Hermann confessa que “no segundo dia depois de minha chegada, era um domingo, 8 de agosto, e, sem respeito humano, apesar da presença de meus amigos, fui participar da Missa. Ali, pouco a pouco, os cânticos, as orações, a presença invisível, e no entanto sentida por mim, com um poder sobre-humano, começaram a agitar-me, a perturbar-me, a me fazer tremer. Em uma palavra, a graça divina se comprazia em derramar-se sobre mim com toda sua força. No ato da elevação, através de minhas pálpebras, senti de repente brotar um dilúvio de lágrimas que não cessavam de correr a o longo de minha face… Oh momento por sempre jamais memorável para a saúde de minha alma! Tenho-te aí, presente na mente, com todas as sensações celestiais que me trouxeste do Alto… Invoco com ardor ao Deus todo-poderoso e misericordioso, a fim de que a doce recordação de tua beleza fique eternamente gravada em meu coração, com os estigmas indeléveis de uma fé a toda prova e de um agradecimento na medida do imenso favor de que se dignou preencher-me”.

Franz Lizt

Em Ems experimentou um forte remorso por sua vida passada, pela qual se crê merecedor de “toda a cólera do Juiz soberano”, o que o leva a fazer uma confissão interior e rápida de todas as enormes faltas cometidas desde sua infância: “As via ali mesmo, esparramadas diante de mim, aos milhares, horrendas, repulsivas”… Porém por sua vez sente “o bálsamo consolador, que o Deus da misericórdia me as perdoaria, que desviaria de meus crimes o olhar, que teria piedade de minha sincera contrição e de minha amarga dor… Sim, senti que me concedia sua graça e que ao perdoar-me aceitava em expiação a firme resolução que fazia de amá-lo sobre todas as coisas e desde então converti-me a Ele”.

Afirma Hermann que, ao sair da igreja de Ems, já era cristão, “tão cristão como é possível ser quando não se recebeu ainda o santo batismo”.

A dor de ver comungar
A partir deste momento, e até seu batismo, viveu um intenso mês de agosto. Da mão do abade Legrand todas as noites aprofunda no conhecimento da doutrina e moral católica, para a qual seguem o Compêndio da doutrina cristã de Lhomond.

Pessoalmente se impõe a obrigação de participar da missa diariamente. Ele mesmo disse que quando ia à missa, ao ver que os fiéis se acercavam a mesa eucarística experimentava uma grande dor por que “não me é dado ver este instante supremo sem chorar pela privação que me fazia morrer”. É o que ele chama “milagre do sabor da Eucaristia” que se traduzia em lágrimas, sabor, enternecimiento. Igualmente assiste a reza das vésperas e em qualquier outra função que se realizasse na iglesia; têm momentos de oração, tanto pela manhã, como pela noite, e guarda a castidade e a abstinência.

A última tentação
Seu batismo teve lugar no dia 28, festividade de Santo Agostinho. Preparou-se para o mesmo encerrando-se em sua casa e realizando uma oração tipo novena, escolhendo para ela o ofício de Nossa Senhora e o dos defuntos.

Na noite antes do batismo voltou a ter uma experiência que define como trágica, através de um sonho que representava de um modo sedutor toda sua vida anterior. Conta Hermann que diante destas visões, “cambaleante, me atirei fora da cama, me lancei aos pés do crucifixo, e ali, com os olhos marejados de lágrimas, implorou o socorro misericordioso do Todo-poderoso, a assistência da Santíssima e puríssima Virgem Maria. Em seguida a tentação acabou”.

A conversão dos judeus
Por fim, no sábado 28 de agosto, festa de Santo Agostinho, às três da tarde, na capela de Nossa Senhora de Sion de Paris, recebeu o batismo das mãos do padre Teodoro de Ratisbona, mudando seu nome, Hermann pelo de Agostinho Maria e Henrique. A cerimônia começou com o canto das ladaínhas pela conversão dos judeus, compostas pelo padre Teodoro de Ratisbona e recitadas todos os dias na capela de Nossa Senhora de Sion:

Jesus de Nazaret, rei dos judeus, tem piedade dos filhos de Israel! /
Jesus, divino Messias esperado pelos judeus! tenm piedade dos filhos de Israel! /
Jesus, o desejado das nações, Jesus da tribo de Judá, Jesus que curou os surdos, os mudos e os cegos, tem piedade dos filhos de Israel! /
Cordero de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-os, porque não sabem o que fazem!

Vida de fé
Hermann descreveu o momento da seguinte maneira: “De repente, meu corpo se estremeceu, e senti uma comoção tão viva, tão forte, que nao saberia compará-la melhor que ao choque de uma máquina elétrica. Os olhos de meu corpo se fecharam ao mesmo tempo em que os da alma se abriam à uma luz sobrenatural e divina. Encontrei-me como mergulhado em um êxtase de amor, e, como a meu santo patrono, me pareceu participar, em um impulso de coração, dos gozos do Paraíso e beber a torrente de delícias com as quais o Senhor inunda seus eescolhidos na terra dos vivos…”.

Em 8 de setembro recebeu a primeira comunhão, e, a partir deste momento começou a comungar frequentemente, porque naquela época não era normal a comunhão diária.

A partir de seu batismo começou uma vida nova para Hermann Cohen. Ao lado de tomar a sério sua vida cristã, marcada pela piedade, a simplicidade de vida, a busca do retiro, e a participação nas Conferências de São Vicente de Paulo, onde “durante os dois anos em que me vi obrigado a esperar no mundo a hora de minha partida para a solidão achei o antídoto ao desagrado que o contato cotidiano com o mundo produz na alma do cristão”.

A mudança radical de vida que experimentou o leva a ser incompreendido por suas próprias amizades. Ele mesmo afirma que “as damas sentem que tenha me perdido para o mundo por causa de minhs devoção”. Age como um verdadeiro convertido, convencido de ter encontrado a verdade e a felicidade mo seio do catolicismo, e tratando de converter o ter voltar à prática de seus amigos mais próximos que, cansados “de minha devoción”, lhe viram a cara, como sucedeu com a Baronesa de Saint-Vigor, ser uma egoísta “porque não quero mais aos meus amigos que minha salvação”.

A conversão dos irmãos
Um dos propósitos que se fez uma vez católico foi a de converter todo o mundo e levar ao seio da Igreja a todos os extraviados, de uma maneira especial os judeus: “Eu fiz voto de fazer todo o humanamente possível para a conversão dos judeus”. o padre Alfonso Maria de Ratisbona inclusive chegou a proibir que debatesse questões religiosas, pela veemência que punha na discussão, e sobretudo “porque sou demasiado ignorante”. Não é de estranhar que alguns de seus amigos, em concreto Adalberto de Beaumont, um boêmio e artista, com quem realizou diversas viagens pela Europa e com quem vivia em sua casa, considerou sua conversão como “uma insensatez”, e disse-lhe que se seguisse por esse caminho de querer converter todo o mundo terminaria por ficar louco.

Se nos amigos não foi bem compreendido por sua conversão, menos o foi, no princípio por sua família. Para um judeu, por secularizado que fosse, passar ao catolicismo era uma traição. Os mais próximos a Hermann, sua irmã e seu irmão Luís, tentaram ocultar o fato da conversão de sua mãe, mas esta, que o tinha acompanhado desde que deixaram Hamburgo, mesmo que nem sempre seguiu seus conselhos, ao inteirar-se da conversão de seu Hermann, a considerou como uma a mais entre as muitas loucuras de seu filho. Mais radical foi a reação do pai, que cortou toda a relação com o filho, amaldiçoando-o por ter-se tornado católico, o deserdou.

monte carmelo

A ordem dos verdadeiros judeus
Rompida a comunicação com seu pai, pelo contrário teve sempre uma boa relação com sua mãe, seu irmão Luís, e sua irmã, que, antes de professar como Carmelita, e tentando suavizar um pouco o fato de ter entrado no Carmelo Descalço, escreve a eles: “O que tanto temiam não vai acontecer. Não, não me verão em Paris com batina de sacerdote; nem me verão como missionário, mesmo sendo coisa excelente. Eu escolhi outro destino. Vou tomar como patrimônio a solidão, o retiro, o silêncio, a vida oculta e ignorada, uma vida de abnegação. Em uma palavra, me encontro no noviciado de ma Ordem religiosa famosa na história por suas austeridades, suas penitências e seu amor a Deus. Esta Ordem teve sua origem entre os judeus, 930 anos antes de Jesus. O profeta Elias do Antigo Testamento a fundou no monte Carmelo, na Palestina. É uma Ordem de verdadeiros judeus, dos filhos dos profetas que esperavam o Messias, que creram n’Ele quando veio, e que se tem perpetuado até nossos dias, vivendo sempre da mesma maneira, com as mesmas privações do corpo e os mesmos gozos do espírito, como viveram no monte Carmelo na Judeia, há uns 2800 anos. Ainda hoje em dia levam o nome de Ordem do Monte Carmelo…”

No fim de seus dias, e antes de abandonar a França por causa da guerra franco-prussiana, Hermann peregrinou ao santuário de Nossa Senhora de Peyragude, para agradecer à Virgem a graça de ter batizado dez membros de sua família. Desde o momento de sua conversão fez voto de se consagrar à conversão dos judeus, “para que aqueles, que esperavam a vinda do Messias no futuro, foram capazes de reconhecê-lo em Jesus”, e se empenhou por levar à Igreja católica os membros de sua família.

Nossa Senhora de Peyragude
Esta última peregrinação de sua vida, antes de partir ao exílio, foi resposta de agradecimento aquela de maio de 1852, estando como conventual em Agen, quando peregrinava com parte da comunidade de carmelitas, clero e seissentos fiéis de Agen, ao Santuário de Nossa Senhora de Peyragude, onde orou intensamente diante da Virgem, a quem se dirigiu, como filha de Israel pertencente à mesma família sua, pedindo-lhe pela conversão de sua mãe: “Mãe dos céus, por teu divino Filho abandonei uma mãe da terra: me a devolverás um dia? Como antigamente seu filho, ela ainda está sentada à sombra da morte, e espera para o futuro a chegada do Messias. Ignora que para nós já apareceu esta brilhante estrela de Jacó, e que seu brilho irradia sem eclipse desde há dezoito séculos no firmamento da Igreja. Ela não sabe que tu foste a aurora da mesma e que tua suave luz não cessa de guiar os passos dos mais fracos mortais para este Sol de justiça, que Deus enviou para iluminar todas as nações e para glorificar seu povo”.

Sua mãe morreu em 13 de dezembro de 1855, sem abraçar a fé católica. Ao inteirar-se da morte de sua mãe, Hermann, a quem tanto tinha preocupado a salvação dos seus, exclamou: “Deus acaba de descarregar um terrível golpe sobre meu coração. Minha pobre mãe morreu… e eu fico na incerteza! No entanto, tanto roguei que devemos esperar que entre sua alma e Deus tenha ocorrido algo nesses últimos instantes que nós não conhecemos”.

Últimos triunfos
Depois de muitas resistências, e sem que seu marido se inteirasse, Hermann batiza sua irmã, que teve que vencer o medo de perder seu filho se aceitasse a fé católica. O batismo de forma secreta teve lugar na véspera do Sagrado Coração: em 19 de junho de 1852 administrou o batismo e a primeira comunhão. A conversão de sua irmã levará ao catolicismo seu sobrinho Jorge, que batizou em 10 de novembro de 1856 na capela das religiosas do Santíssimo Sacramento da Rua o inferno de Paris. O batismo do sobrinho fez que o pai do menino e a família do padre Herman separassem o pequeno de sua mãe e o levassem a Hamburgo, onde o internaram em um colégio protestante, na expressão do padre Hermann “um pensionato dirigido por herejes”, com a intenção que se esquecesse da fé católica e voltasse ao seio do judaísmo: “Seu filho não voltará a vê-la até que tenha jurado diante de Deus que o educará na religião judia e que não manifestará por nenhum sinal exterior da religião católica que abraçou”.

A perseverança no catolicismo de seu sobrinho Jorge, que conseguiu manter boas relações com seus tios, levará a Alberto, o irmão mais velho de Hermann, a abraçar o catolicismo, recebendo o batismo em Hamburgo em 19 de maio de 1862.

Artigo tirado da página da web dos Carmelitas Descalços da Província de Castela.

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