Trinta anos em campos de trabalho por ser da Legião de Maria: hoje é padre e perdoou.

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O padre Mateo Koo da diocese de Shangai

Treinta años en campos de trabajo por ser de la Legión de María: hoy es cura y perdona

Trinta anos em campos de trabalho por ser da Legião de Maria: hoje é padre e perdoouUm policial conduz numerosos presos de um campo de trabalho chinês presos por uma corda

P.J. Gines / ReL- 7 abril 2014-religionenlibertad.com

Mateo Koo é um padre da diocese de Shangai que ficou preso 30 anos em campos comunistas de reeducação, basicamente por ser católico.

Recentemente esteve em Roma onde pôde falar com jornalistas, de sua experiência de muitos anos sem liberdade.

Prenderam-no em 1955, quando tinha só dois anos de seminarista.

“Era a festa de aniversário de Nossa Senhora, chegaram os funcionários e prenderam os sacerdotes, professores e seminaristas”, explicou.

“Meu crime era por ser membro da Legião de Maria. Uni-me à Legião de Maria na escola superior. E por isso me deram uma primeira sentença de cinco anos, sem juiz, sem advogado…”

 

O padre Mateo Koo na sua passagem por Roma

O ódio comunista à Legião de Maria
Haverá quem se espante de que sendo seminarista se recorresse a outra acusação para castigá-lo, por sua pertença à Legião de Maria. Mas é porque este movimento mariano, fundado na Irlanda pelo laico Frank Duff en 1921, se havia estendido pela China como a pólvora.

Em um país enorme onde o clero sempre seria escasso, a Legião de Maria se extendia formando líderes leigos. Johanna Hsiao, uma leiga de 30 anos, foi encarcerada em 1951 porque fundou no norte da China 362 grupos ou células da Legião (chamados de “presidias”, que em latim significa “fortalezas”).

Em 1949 Mao Tse Tung criou a República Popular da China. Nesse momento havia no país 3.000 padres estrangeiros e 2.350 religiosas estrangeiras para atender uns 4 milhões de católicos. Mao começou a deportar os padres. Cinco anos depois, só restavam na China 22 padres estrangeiros… e 18 deles estavam na prisão. Dos 2.500 padres chineses, um de cada cinco estava encarcerado.

A Legião de Maria, com seus leigos que se reuniam em casas para a oração, a formação e com um compromisso forte, era especialmente odiosa ao regime comunista, nem tanto por suas cifras (espetaculares do ponto de vista europeu, porém menores na enorme China) senão porque impedia criar uma igreja paralela dócil ao sistema comunista. Com seu vocabulário cheio de alusões romanas (estandartes, legiões, presidias…) a propaganda comunista em seguida a apresentou como “imperialismo romano”. A perseguição contra ela foi especialmente dura… incluindo o jovem seminarista Koo.

 

Livro clássico do missionário Juan Schütte que estudou a propaganda comunista chinesa contra a Legião de Maria, apresentada como militares romanos com armas

“Nega ser contra-revolucionário”
Depois de uns poucos anos no campo de reeducação, trocou o governo na China e levaram Koo para um julgamento… só para acusá-lo de “se negar a admitir que era um contra-revolucionário” e “negar que a Legião de Maria era uma organização contra-revolucionária”. E lhe sentenciaram a outros 3 anos.

No campo de trabalho tinha que fabricar tijolos, fazer buracos no chão… tarefas físicas esgotantes.

Mas espiritualmente estava bem, porque em sua equipe havia outro seminarista e quando podiam rezavam juntos o Rosário.

Um dia o outro seminarista deu-lhe uma nota animando-o a rezar pelo Papa. Os guardas a descobriram e condenaram Koo outros 7 anos de trabalhos forçados.

Frio e fome quase mortal
Quando já tinha 10 anos de prisão, o transferiram a um campo bem pior, na gélida região de Qinghai, junto ao Tibete. Além do frio, durante 3 anos o país sofreu uma escassez terrível. “Não tínhamos nada para comer, minha saúde ficou cada vez pior”. Ficou pele e ossos, não podia nem se levantar nem trabalhar. Durante um ano e meio pensou que ia a morrer assim. Mas teve forças suficientes para se apresentar para ajudar os enfermos… onde tinha algo mais de comida. Assim passou essa época. Recobradas suas forças, passou depois outros 10 anos triturando cereais.

 

Posto em “liberdade”
E depois acabou sua pena “oficial”. Já não era um prisioneiro. Agora era um cidadão a mais… obrigado pelas autoridades a ficar igualmente no mesmo campo, fazendo o mesmo trabalho e com a mesma comida, mas com a diferença que agora receberia uma diminuta paga, “que em três dias acabava”. E assim seguiu no campo como mão de obra semi-escrava, completando um total de 30 anos.

Mas tinha outra diferença em seu período de semi-liberdade. Ficou dois anos com seu bispo, o bispo Fan de Shanghai, também em “reeducação” (aqui em ReL contamos seus recentes funerais). O bispo Fan ordenou sacerdote seu antigo seminarista, depois de tantos anos, em uma capelinha, às escondidas. Por fim, podia ser padre.

Um congresso de sobreviventes
Agora que há mais liberdade, Koo espera com esperança um congresso em 8 de setembro de 2015 pelo motivo dos 60 anos de abertura do primeiro campo de reeducação e se reunirão ex-presos e sobreviventes chegados de todo o mundo para contar suas vivências.

O padre Koo perdoou os captores e guardas. E fala de algumas melhorias na China. Por exemplo, no ano passado um padre celebrou missa numa fábrica chinesa, algo completamente ilegal. “Chegou a Polícia e dispersou as pessoas, mas não prenderam ninguém. Há 30 ou 40 anos, talvez tivessem detido os assistentes. Estamos contentes. Podemos falar com os funcionários”, disse.

E no entanto, o padre Koo não puede estar com seu bispo, porque o jovem Mateo Ta Daqin, está em prisão domiciliar desde que -no mesmo dia que foi consagrado bispo- se permitiu criticar o controle do Estado sobre a Igreja.

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por euvimparaquetodostenhamvida