Os poloneses, católicos e férteis, herdarão a envelhecida Inglaterra? Seus filhos mudam o país.

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Demografia: os católicos passam de 4,2 milhões a 5,2

Os poloneses, católicos e férteis, herdarão a envelhecida Inglaterra? Seus filhos mudam o país.
Los polacos, católicos y fértiles, ¿heredarán la envejecida Inglaterra? Sus hijos cambian el país
Os ingleses e poloneses gostam da pedagogia escoteira, e quando existem muitas crianças é mais necessária, como nesta paróquia de Santo André Bobola

Pablo J. Ginés/ReL- 19 novembro 2013-religionenlibertad.com

A partida no estádio de Wembley para a Copa do Mundo em meados de outubro de 2013: Inglaterra joga contra Polônia. O estádio se enche de poloneses: uns 20.000. Não vem de longe, vivem perto: são poloneses que trabalham no Reino Unido.

Ganha a Inglaterra, voltam para casa, mas bem desanimados, algumas de suas esposas, compreensivas, os consolam e provavelmente 9 meses depois nascem uns pequenos bebês poloneses em hospitais ingleses.

 

De fato, com ou sem futebol, os bebês poloneses são assíduos nas salas de parto britânicas. Nascem uns 18.000 ao ano na Inglaterra e Gales, e outros 2.000 na Escócia.

E quase todos são rapidamente batizados na paróquia católica local.

Taxas de fertilidade muito claras
As polonesas na Grã Bretanha têm uma taxa de fertilidade de 2,48, frente as britânicas, que a tem somente 1,84, segundo assinalam dados recentemente publicados na imprensa britânica.

Mais dados: no Reino Unido vivem 130.000 crianças menores de 14 anos que são polonesas. Enchem as catequeses das paróquias católicas, e enchem as aulas dos colégios católicos sempre que podem conseguir um (há 2.000 colégios católicos na Inglaterra, com uns 725.000 alunos).

Estas crianças crescerão na Inglaterra, conhecerão alguma noiva (ou noivo) inglesa típica, anglicana não praticante, se casarão, o cônjuge inglês se fará católico, terão filhos educados como católicos… Em uma geração, a demografia religiosa pode mudar muito.

Meio milhão de nascidos na Polônia
De fato, a demografia, a natalidade e as migrações mudam o mapa religioso de um país de forma tranquila mas firme. Na Inglaterra e Gales vivem mais de 500.000 pessoas que nasceram na Polônia.

Em qualquer país com pluralidade religiosa e certa liberdade, a principal causa estatística para mudar de religião ou assumir uma religião de adulto é o matrimônio com um crente firme.

As polonesas de fato têm mais filhos (em média) na Inglaterra dos que teriam na Polônia. Em seu país de origem as ajudas familiares são escassas (um único pagamento equivalente a 220 libras ao nascer a criança… já é mais que na Espanha). Na Inglaterra há outras ajudas, boa saúde, melhores salários…

Redes sociais de verdade, que ajudam
É certo que serem pais imigrantes é complexo porque falta a ajuda dos avós e parentes, mas os poloneses -como outros grupos- compensam com as redes sociais eficazes de amigos e paroquianos, serviços de creches, amigas que cuidam das crianças, etc… E quando um imigrante tem filhos em um país, tende a fincar raízes, a ficar e mudar o país.

Em 2001, o Reino Unido contava com uns 5 milhões de imigrantes: hoje, uma década depois, são 8 milhões, 13% da população. A imigração transforma a sociedade. Depois dos nascidos na Irlanda e os nascidos na Índia, os nascidos na Polônia é o terceiro grupo imigrante mais numeroso.

Na ilha, mais polonês que escocês
O polonês se fala mais na Grã Bretanha que o escocês (não mais que o galês). Na Escócia há muito mais missas em polonês que em gaélico escocês.

Que os poloneses se casem e tenham filhos (e que o façam, em geral, os imigrantes religiosos) choca com os hábitos inférteis da população nativa. Ingleses, galeses e escoceses não se casam, os que se casam se divorciam, não tem filhos, e quando os têm é muito tarde, então só tem um único filho, às vezes dois.

Mais números: quase 18 milhões de britânicos, um terço da população, seguem solteiros. E não são jovens: é porque não querem se comprometer. E isso afeta a natalidade.

E as rupturas debilitam também a natalidade: o número de divorciados cresceu 20% desde o início do século, até somar os 4,5 milhões. Os divorciados não tem tempo nem recursos para mais filhos.

Um crescimento forte para a Igreja
Para uma igreja minoritária, como é a católica na Inglaterra, a imigração polonesa é uma oportunidade, mas também um desafio. Em 2001 o censo do Reino Unido contava 4,2 milhões de católicos na Inglaterra e Gales ( 8% da população). Depois da onda de imigração polonesa, e apesar de tudo o ativismo moderno dos gurus do novo ateísmo, em 2009 uma enquete de Ipsos Mori contava 5,2 milhões de católicos, 9,6 da população. (Para comparar: os ingleses e galeses que se declaram “anglicanos” são 13,4 milhões).

A imigração aponta um crescimento de jovens… e os jovens têm filhos. Pela demografia, serão mais.

Mais católicos praticantes que anglicanos
Já em 2007 a imprensa britânica dava por demonstração que na Inglaterra existem mais católicos praticantes que anglicanos praticantes (definidos como os que vão à igreja toda semana, ou quase toda semana).

Sobre 51 milhões de habitantes na Inglaterra e Gales, em um domingo determinado só encontraremos uns 800.000 fiéis nas paróquias anglicanas do país, frente a um milhão ou mais de católicos na missa.

Em 2007, o cardeal Cormac Murphy-O´Connor, como arcebispo de Westminster, desgostou muitos poloneses ao pedir que se integrem mais nas paróquias locais “logo que aprendam o suficiente do idioma”. O certo é que os poloneses são gregários: gostam de ficar juntos entre eles, ter a missa em polonês, criar suas próprias confrarias e associações e manter suas devoções (como a bênção de ovos de páscoa na paróquia Santo André Bobola, sob estas linhas).

Personalidades como Grazyna Sikorska, da Missão Polonesa Católica para Inglaterra e Gales, recordava no diário católico The Tablet que não se pode pedir aos fiéis que deixem de rezar em polonês, porque não é um pecado. E o padre Tadeusz Kukla, vigário delegado para os poloneses na Inglaterra e Gales disse: “Se perdermos nossa identidade nacional, perderemos tudo”. Então não houve mais insistência por parte da hierarquia para “britanizar” rápido os paroquianos poloneses.

Saber acolher, gerir a diversidade
Em um mundo globalizado, a capacidade de uma igreja para gerir a diversidade cultural e acolher a imigração é chave.

Os imigrantes católicos na Europa Ocidental tendem a serem mais devotos, tendem a serem jovens, tendem a serem empreendedores e tendem a serem férteis: eles e seus filhos apontam dinamismo às envelhecidas igrejas da Europa Ocidental.

Porém para isso, a Igreja deve ser mais acolhedora que “o mundo”, com suas diversões (algumas vezes) e suas tristezas e desânimos (outras muitas vezes, sobretudo na vida dura de quem trabalha em terra estranha, longe de sua família).

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por euvimparaquetodostenhamvida