O filósofo Fabrice Hadjadj desmantela o pensamento fraco que justifica o aborto e o aproveitamento de embriões humanos.

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A farsa do “projeto paternidade” sem ele não há uma pessoa?

El filósofo Fabrice Hadjadj y sus preguntas incómodas sobre el embrión: «¿No es acaso humano?»

O filósofo Fabrice Hadjadj e suas perguntas incômodas sobre o embrião: « Não é por acaso humano?»

O filósofo Fabrice Hadjadj desmantela o pensamento fraco que justifica o aborto e o aproveitamento de embriões humanos.

Le Figaro – 9 outubro 2013 – religionenlibertad.com

Em julho do mês passado, a Assembleia Nacional da França votou um projeto de lei que autorizava a investigação com embriões humanos (uma prática que dana e destrói os indivíduos humanos nessa etapa de seu desenvolvimento).

O filósofo Fabrice ­Hadjadj, diretor de ‘Philanthropos’, o Instituto Europeu de Estudos Antropológicos (Friburgo, Suíça), analisava, em uma entrevista que reproduzimos na continuação, o estatuto do embrião humano.

Respondia ao professor René Frydman que, no ‘Le Figaro’ de sexta-feira 12 de julho, afirmava: «Para mim, o embrião não é uma pessoa humana», e declarava que proibir a investigação com embriões humanos era «incoerente e retrógrado».

–Muitos afirmam que «o embrião não é uma pessoa». O que você pensa sobre isto?

– É curioso, não se busca jamais um filósofo para praticar uma reprodução assistida, mas não se duvida em perguntar a um médico sobre questões filosóficas.

»Quero recordar que a noção de pessoa é uma noção metafísica, de origem teológica inclusive, e que não a podemos empregar assim e assim sem ser mais arrivista e mais vaidoso que «O burguês gentil-homem»[a comédia de Molière, do séc.XVII].

»Por outra parte, não sei se você percebeu, mas nos esforçamos em dizer «o embrião», sem mais. Porém, de que se trata? De um embrião de vaca, de macaco, de ornitorrinco? Não, se trata de um embrião humano.

»Ao M. Frydman lhe foi fácil argumentar dizendo: «Um olho não preparado não pode ver a diferença entre um embrião de rato e um embrião humano». Ele, o defensor do «in vitro veritas», conhecedor da genética e acostumado a manejar o microscópio eletrônico, repentinamente se nega a ver o código genético deste embrião e promove «o olho não preparado».

»Implantaria ele um embrião de rato nas mulheres que lhe solicitam uma reprodução assistida? Por que não, se não há nenhuma diferença? A evidência é que o embrião sobre o qual estamos falando é humano. Nenhum cientista pode dizer o contrário.

»Agora, eliminar um ser humano é um homicídio. Fazer do ser humano um material excedente é o cúmulo da exploração. E com isto não estou emitindo um juízo de valor. Depois de tudo, pode haver motivos para ser um homicida, e numerosos Estados, em nome do progresso, legalizarão a exploração e a manipulação dos humanos. O que eu reprovo, como filósofo, é que se rechace chamar gato a um gato, e que nos abandonemos a circunlóquios para dissimular.

– Se as coisas estão tão claras, por que este debate?

– Um texto que Bertrand Monthubert, antigo secretário nacional para a investigação do Partido Socialista francês, publicou em 11 de julho, é bastante significativo.

»Cito sua saborosa argumentação, em sua muito aproximada gramática: «O embrião não é uma pessoa, a ciência é muito clara sobre isto. Se fossem pessoas, isto significaria que os embriões que foram criados e destruídos no contexto das FIV(Fecundação In Vitro) são assassinatos. E este não é o caso». Isto é tudo.

»Falamos do «embrião», sem concretizar que se trata de um embrião humano. Pretendemos que a noção de pessoa é «muito clara» para a ciência. E como único argumento se levanta a impossibilidade de ser um assassinato.

»A negação tem, portanto, duas causas. A primeira é essa palavra, «pessoa» e a confusão metafísico-jurídica a que induz. Faríamos melhor em perguntar-nos se estamos diante de uma vida humana ou não.

»Agora, posto que esta vida é humana, a questão é saber se queremos seguir tendo o artigo 16 do Código Civil [francês], que estabelece que «a lei garante o respeito ao ser humano desde o princípio de sua vida», ou o abandonamos.

»A segunda causa é a dificuldade de reconhecer que, ao seguir uma lógica “tecnicista”, temos criado uma situação sem solução e insustentável, diante da qual nossa consciência está desorientada. Efetivamente, estes 50.000 humanos congelados, que queríamos usar sobretudo como reagentes em laboratórios farmacêuticos, é algo inimaginável. Devemos admitir que estamos más além de «Um mundo feliz», de Aldous Huxley.

– Podemos afirmar ao mesmo tempo que o embrião humano «não é uma pessoa», e que «se converterá em uma pessoa» na medida em que se inscreve em um projeto de paternidade?

– Os cientistas que apoiam isto são, verdadeiramente, adeptos da magia negra. Abracadabra! Eu quero que seja uma pessoa, e é uma pessoa. Isto não entra em meu projeto e puf! A pessoa desaparece! Estamos verdadeiramente no reino dos aprendizes de bruxos.

»Porém esta maneira de ver, que faz pensar na magia, é tipicamente tecnocrática. Seu princípio é que a vontade prima sobre o ser, e que portanto, todo o estado natural, incluindo meu corpo, só é um material que posso manipular segundo convenha aos meus caprichos.

»No entanto, me lembro do que dizia Hannah Arendt ao final sobre o sistema totalitário: a essência do totalitarismo se encontra em seu rechaço ao nascimento como acontecimento absoluto, ou seja, no fato de querer que o indivíduo não tenha valor a menos que se inscreva em um planejamento, que seja a engrenagem de um dispositivo anterior a sua chegada, ou seja que se trate da ideologia do Partido ou do projeto dos pais.

– Podemos aceitar as interrupções voluntárias de gravidez e a destruição de embriões sem projeto de paternidade e rechaçar a investigação com embriões?

– É certo que tudo está unido. Por outro lado é necessário recordar que uma fecundação in vitro, ao final, destrói mais embriões que um aborto.

»De novo, eu não pretendo posicionar-me a nível ético, e sobretudo nesta ética que todo o mundo utiliza como uma etiqueta, para apagar sua boa consciência. Constato simplesmente que temos entrado em uma era de manipulação radical (dizendo, desde a raiz) da vida humana…

»Apesar de tudo, a mudança da lei que se quer agir não é piada. Até agora, do ponto de vista legislativo, o princípio era o respeito para a vida humana, e a destruição ou utilização de embriões humanos (poderíamos inclusive dizer a «comercialização») só se permitia a título derrogatório. Hoje em dia, se trata de fazer da derrogação um princípio, e inscrever como prescrição positiva a redução do humano para pura matéria.

– Não deveríamos tachá-lo de retrógrado?

– De onde vem esta retórica do «grande salto para diante»? Com ela, Mao causou 30 milhões de mortos. É bom dar marcha-ré quando estamos à beira do precipício.

»Além disso, o que é retrógrado é não seguir o caminho aberto pelo Prêmio Nobel de Medicina, o Professor Yamanaka, com suas células reprogramadas, que não levantam nenhum problema ético. Mas nós nos enredamos na investigação a partir de embriões humanos (sem dúvida alguma, como um meio de evitar a nossa consciência o mal estar de tê-las que destruir) e deixamos que o Japão nos adiante em métodos que já deram melhores resultados.

– Pode-se dizer que os que se opõem à lei estão influenciados pela Igreja Católica?

– M. Frydman o assegurou nas colunas de seu jornal. O que é duplamente desleal. Primeira deslealdade: fazer crer que todos os que se opõem as suas opiniões são uns fideístas irracionais. Isto é típico do estilo do processo stalinista.

Segunda deslealdade: ele se deixa apresentar como o «pai do primeiro bebê de proveta». O que aconteceu então com Jacques Testart? Por que não se fala mais dele como o pioneiro da fecundação in vitro? Precisamente porque, sem ser católico, Testart denunciou todos aqueles que «aplaudem religiosamente todas as produções de laboratório». Teria muito que dizer sobre o obscurantismo “cientificista” e seus fanáticos hoje.

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por euvimparaquetodostenhamvida