O desgaste dos homens que «abortam»: um pai chora a filha que nunca encontrou. Um encontro que nunca aconteceu neste mundo.

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Sucedeu há vinte e cinco anos e não conseguiu esquecer

O desgaste dos homens que «abortam»: um pai chora a filha que nunca encontrou.
Um encontro que nunca aconteceu neste mundo.

C.L./ReL-9 setembro 2013-religionenlibertad.com

Muitos homens são responsáveis diretos pelo aborto -diante do silêncio feminista-, por não se encarregam de suas responsabilidades e induzem a mãe a matar o filho comum. Outros -como o caso que contou ReL recentemente- se veem impotentes quando queriam tê-los, porém a lei não lhes concede nenhum direito se a decisão da mulher se inclina pela eliminação da gravidez.

Uma história de sofrimento

O caso que contou a blogueira católica Rebecca Frech parece responder a uma terceira tipologia: quando o aborto se produz por consentimento comum do casal. E também neste caso os efeitos sobre a consciência são devastadores.

Rebecca falou com um “velho e querido amigo” sobre a perda de sua filha Bernadette, quando esse amigo desmoronou: “Começou a chorar e a me falar sobre sua própria pequena. A menina que nunca conheceu e que ama sem reservas”.

Frech pediu ao homem que escrevesse seu testemunho de vida em silêncio como “pai pós-aborto”, e reproduziu em um de seus últimos posts a história dessa tragédia.

Um dia de agosto de 1988
“Amo a menina que nunca encontrei. Jamais a levei pela mão, nem penteei seu cabelo, nem lhe cantei canção alguma. Porém a amo igualmente”: então começou sua história anônima, o amigo de Rebecca. Que lamenta: “Não sei se é alta ou baixa, e os traços de seu rosto existem só em minha imaginação. Estou certo de que o tom de sua voz e a alegria de seu riso rivalizam com o coro dos anjos. Seus olhos, brilhantes, serão castanhos, talvez de cor avelã. Porém tudo isso eu perdi. Tudo o que tenho são memórias irreais do quanto podia ter sido”.

Explicou que faz vinte e cinco anos, no mês de agosto, essa menina a que hoje ama “foi abortada”: “Minha pequena. Minha única filha. Uma menina que agarra meu dedo até hoje, mas que nunca me chamará de papai. Uma menina que nunca sentiu o abraço protetor de seu pai, porque seu pai lhe faltou no momento em que mais lhe necessitava”.

Arrependido e reconciliado com Deus

O homem que escreve esta história fala brevemente de si mesmo, mesmo afirmando não ser mais o que era na época, esse menino que estudou num colégio católico, esse adolescente convertido “em um idiota que ia às festas para se embebedar”.

Já deixou para trás os “Se ao menos pudesse…” ou os “Deveria ter feito…”: “Admito que o que fiz, o que permiti que acontecesse, foi um erro. Arrependi-me e cumpri minha penitência. Estou reconciliado com a Igreja”.

Mas “a reconciliação, mesmo que apague o pecado, não tira a pena”: “Em meu coração há um buraco com forma de menina, e esse buraco nunca será preenchido nesta vida”.

Diferente atitude da mãe
Dois anos depois do aborto, o homem contraiu matrimônio com a garota: “Casei-me com a m~ee de minha filha. Talvez pensasse que me tivesse livrado de muito sofrimento casando-me com outra pessoa, e não discuto isso, mas naqueles dias eu estava convencido de que o aborto não era coisa minha, que eu não era o responsável. Não tinha nada que ver comigo. Foi com o passar do tempo que enfrentei o fato de que eu sim era responsável, de que eu era o pai, e necessitava redenção”.

O aborto que cometeram continua sendo, no entanto, “um tema tabu” entre eles, “uma parede invisível e intransponível, que só se rompeu duas vezes nos últimos vinte e cinco anos”.

“Não vou me aprofundar no que aconteceu”, continua, “salvo para dizer que a única pessoa que poderia me ajudar a suportar a dor e a pena é a mesma pessoa que rechaça admitir que tenho razões para a dor e a pena. Ela não quer ou não pode admitir que matou sua filha. Porém é algo de que eu tenho que falar. Seguir adiante sem falar com ninguém é mais do que posso suportar”.

Síndrome pós-aborto, também nos pais

O amigo de Rebecca afirma que “há muitos pais que lamentam o aborto e são incapazes de falar disso: a culpa, a vergonha, o desajuste, o ter falhado em proteger os fracos, a solidão, o desapego, a incapacidade de estabelecer relações estáveis, a tensão da qual não se fala, as feridas emocionais… são pesos invisíveis que angustiam suas almas. Amam crianças que existem só em seu coração, um amor desolado e não correspondido.Eu sei porque vivi”.

E explica como e quando: “Eu derramei muitas lágrimas na solidão de um quarto vazio, no Natal, quando todo o mundo já tinha ido para a cama. Algumas canções me evocam fortes emoções, como quando Fantine canta em ‘Os Miseráveis’ “I dreamed a dream” e diz: “Sonhei que minha vida podia ser tão diferente do inferno que estou vivendo”.

Algumas cenas do filme são devastadoras, como quando em ‘O Resgate do soldado Ryan’ o capitão John Miller, ao morrer sobre a ponte da cidade francesa, diz ao soldado Ryan: “Earn this! Faça que isto valha a pena!”.

E ele fez que valesse a pena, porém eu fico me perguntando se valeu a pena a decisão que tomei em minha vida. Eu vi meus irmãos com suas filhas no dia de seus casamentos, e penso que eu nunca serei o pai.

Prostrei-me em adoração no chão das igrejas diante do Deus bendito, rogando-lhe Sua paz, pedindo-Lhe ajuda para me livrar da dor. E Ele sempre me dá paz, porém o buraco em minha vida com forma de menina continua”.

Rezar pela intercessão da pequena

“Mas não quero que desapareça”, adverte: “Sei que soa estranho, mas é a verdade. Em outro tempo tentei preencher essa ausência com outras coisas, e no entanto aí permanecia. Durante anos tentei dar outros propósitos (alguns bons, outros nem tanto) para o amor que era para minha filha, mas agora compreendo que isso não podia funcionar. Percebi que o amor nunca ficará satisfeito. Agora rezo com ela, e peço coisas por sua intercessão. Isso é o que me restou”.

Conclui explicando que não busca alívio na auto-compaixão: “Lamento com cada fibra de meu ser o que aconteceu naquele dia de agosto de 1988, mas não fantasio sobre o que poderia ter sido. Fiz a escolha [choice] do aborto, e sofro as consequências dessa escolha [choice]. Como também minha esposa, mesmo que ainda rechace em admitir que se equivocou gravemente impedindo uma cura completa entre os dois. Eu a quero, e a perdoei. Não guardo nenhum ressentimento para com ela, e rogo a Deus que abrande seu coração para que possa começar a se redimir. Porque é a mãe de todos meus filhos, eu decidi manter o compromisso até o final, seja qual for o final”.

“Por último”, conclui, “creio que minha filha nos perdoou, e isso me tem ajudado muito. E inclusive espero, pela inexplicável misericórdia e bondade de Deus, que Ele mesmo é também Pai, que finalmente nos encontraremos. Um encontro entre estranhos que sempre se amaram mutuamente, e que por fim poderei escutá-la dizer Papai!”.

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por euvimparaquetodostenhamvida