Crítica a alguns meios de comunicação social. Vittorio Messori denuncia a manipulação dos que analizam o religioso desde categorias políticas.

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Crítica a alguns meios de comunicação social

Vittorio Messori denuncia a manipulação dos que analizam o religioso desde categorias políticas

Messori se refere a esses jornalistas e meios de comunicação como “artífices da desinformação que fincaram raízes em todo o sistema de mídia mundial”.

ReL – 27 fevereiro 2013 – religionenlibertad.com

Vittorio Messori escreveu um artigo demolidor sobre o juízo que fazem alguns meios de comunicação de corte laicista sobre o momento que está vivendo a Igreja. Intitula-o: “Essa leitura política que desfigura a Igreja”.

O famoso escritor italiano assinala que “fazem rir as opiniões e pretensões do experts de todo o mundo que nestas semanas, com um ar de superioridade de quem tudo sabe, desenham coordenadas em seus meios de comunicação, denunciam acordos e indicam estratégias mais ou menos ocultas entre os eleitores.

O enfoque de artigos e aparições televisivas similares é pedante e sedutor. Parece que quem escreve ou fala pisca os olhos para dar a entender que é necessário estar pronto e que é ele, que conhece o que ocorre no lado oculto, e que revelará o que sucede realmente por trás: toda uma questão de poder e de dinheiro em lugar de religião!”.

Categorias impróprias de direita-esquerda
“Muitos destas análises presunçosas são vanilóquios (palavras ôcas) que fazem rir: segundo um inerradicável vício, se aplicam categorias impróprias para interpretar uma realidade totalmente diversa.

É a deformação obsessiva, poderíamos dizer maníaca, de quem pretende interpretar a realidade religiosa utilizando também as habituais categorias políticas, aborrecidas e gastas (e, neste caso, totalmente enganosas) distinções entre direita—esquerda, conservadores—progressistas, tradicionalistas—modernistas,  dialogistas—integristas”.

A deformação impede a compreensão
“O resultado -disse Vittorio Messori- é a total incompreensão da vida eclesial, e a idiotia deformante apresentada como um brilhante e agudo exame. «Todo ser», adverte São Tomás de Aquino fazendo eco a Aristóteles «deve ser interpretado e entendido de acordo com entidades de sua mesma natureza».

O que se pode compreender das intenções profundas de homens de fé, no vértice da Igreja de Cristo, conscientes de que deverão aparecer diante de Ele para serem julgados? O que se pode compreender? Quem quereria interpretar estes anciãos sacerdotes —sempre com biografias heroicas, perseguidos por causa de sua fé— como se fossem personagens de uma câmara de deputados do mundo ou como membros do conselho de administração de uma multinacional qualquer?”.

Messori sublinha que “se utilizamos termos fortes para estes artífices da desinformação que fincaram raízes —hoje como sempre— em todo o sistema da mídia mundial, é para adequar-nos ao estilo cortante utilizado uma vez também pelo manso e comedido Bento XVI”.

Uma leitura tendenciosa do Vaticano II
“Bento XVI, que recordou que ao povo, incluindo o católico, não chegaram os documentos autênticos, mas suas interpretações tendenciosas realizadas por jornalistas, analistas, escritores, quando não especialistas e experts clericais partidários de «facções». Porém é injusto desempenhar o vitimismo habitual, como se a deformação do Concílio tivesse sido obra de algum complô externo: na realidade (o mesmo Ratzinger recordou sempre) boa parte do desastre, diria que a mais perniciosa, feita por homens da Igreja. Ao mundo inteiro e ao próprio Povo de Deus não chegou o impulso religioso dos Padres, o fervor pelo apostolado, seu olhar para o Evangelho de sempre e de hoje; mas o contrário, chegou a leitura «política» escura, estreita e sectária”.

Desencontro progressistas-conservadores?
“Aquelas complexas e sábias catedrais teológicas em miniatura que eram e são os documentos autênticos do Vaticano II foram limitadas em uma camisa de força de um presunçoso desencontro sem exclusão de culpas entre progressistas e conservadores, entre a escura reação na escuridão e o luminoso sol do porvir invocado pelos esquerdistas, por aquele então com túnica, mas em breve com traje de esquimó”.

Lutas de poder, lobbby…?
“Em seu discurso cálido e paterno ao clero romano, o Papa Ratzinger não duvidou em utilizar palavras de dura condenação («foi uma calamidade, criou muitas misérias») para as intrusões dos meios de comunicação, guiados por aqueles que pretendiam dividir tudo entre «direita» e «esquerda», que queriam reduzir tudo em uma questão de lobby, de pessoas que se enfrentam entre si para defender ou para conquistar o poder”.

Reduzir a Igreja à uma perspectiva só humana
“Quem vive dentro da Igreja —e não por uma pertença sociológica aborrecida, mas pelo dom vivo e gratuito da fé— constata a miséria e a impotência dos esquemas que queriam reduzir à perspectivas trivialmente humanas a complexa e rica experiência religiosa. O crente sabe que as chamadas formações de conclavistas, mesmo que existam, não se explicam —ao menos não mais que em alguns casos marginais— com as categorias válidas para a dialética política. É certo que também o aspecto político é importante na parte humana da Igreja e seus homens se equivocariam se não o tivessem em conta. O erro é tentar medir com esse metro «outra» realidade como a Igreja”.

Por último, o escritor italiano assinala a aqueles analistas alheios à Igreja que opinam sobre ela com grande segurança: “O que pode compreender desta perspectiva uma pessoa que não participa dela e que talvez presuma desta distância, fazendo-a passar como uma garantia de objetividade?”.

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por euvimparaquetodostenhamvida

“Uma coisa é sentir e outra consentir”, o qual não significa que tenhamos via livre para brincar com fogo.

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Não cair em tentação

Pe. Santiago Martin- 17 fevereiro 2013-religionenlibertad.com

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e durante quarenta dias, o Espírito o foi levando pelo deserto, enquanto era tentado pelo diabo.” (Lc 4, 1-4)

O mundo e o demônio são pródigos em nos sugerir tentações que nos afastam do caminho de Cristo, do caminho do amor. Tentações que são sempre atrativas, pois do contrário seria muito fácil e inclusive espontâneo rechaçá-las.
Há muitas tentações e, talvez, cada um tem as suas particulares, o mesmo que se tem determinadas virtudes.

Com frequência, inclusive, há defeitos que vão unidos às virtudes; as pessoas nervosas geralmente são muito ativas e as tranquilas tendem a ser preguiçosas; as pessoas que estouram em explosões de mal gênio, tendem a ter um bom coração e a não guardar rancor, enquanto que as que controlam melhor seu caráter às vezes passam faturas mais tarde.

Por isso não é preciso se alarmar por sofrer tentações, mas tem que lutar para não cair nelas, tirar partido da parte positiva de nossa maneira de ser, da maneira de ser de cada um.

Não há que esquecer aquela velha máxima que expressa com sabedoria um princípio básico da moral católica: “Uma coisa é sentir e outra consentir”, o qual não significa que tenhamos via livre para brincar com fogo.

Mas há uma tentação que é frequente hoje: a de trabalhar até o esgotamento sem nutrir-nos de motivações que nos ajudem a recuperar as forças que gastamos no trabalho.

Há muita gente que se dá e que um dia descobre que está vazia. Dar-se é uma forma de encher-se, certamente, mas isso só se produz quando a entrega se faz por amor a Deus. Não cair na tentação do ativismo é o objetivo desta semana.

http://www.magnificat.tv/es/node/2974/205

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por euvimparaquetodostenhamvida

Porque para nós verdadeiramente importante é dizer a cada um aquilo que dá sentido à nossa vida, transmitir-lhes a mensagem que a nós nos mudou: Deus existe, Deus te ama, tenha esperança porque Ele deu a vida por ti.

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Franciscanos de Maria em Roma

pe. santiago martin – 22 janeiro 2013 -religionenlibertad.com

Quando alguém chega em um lugar onde tudo está por fazer, talvez possa se sentir desanimado porque não sabe por onde começar ou porque o que tem diante lhe parece tão grande que sente que suas forças não vão ser suficientes para poder levar a cabo a tarefa que lhe foi confiada.

No entanto, não é o único momento em que a sensação de desalento pode embargar uma pessoa. Pode ocorrer o mesmo, e ainda pior, quando se chega a um lugar onde, aparentemente, tudo está feito.

Um destes lugares, do ponto de vista pastoral, é Roma. Aqui está representada toda a Igreja e todas as Igrejas. Por sua história e pelo que significa para a catolicidade, todos querem, todos queremos estar presentes na cidade eterna.

Há muitíssimas igrejas, sobretudo no centro histórico, mas cada uma delas está já assinada, às vezes há séculos, em uma congregação religiosa, em um movimento de espiritualidade ou a uma diocese ou rito católico não latino.

Há muitíssimos sacerdotes, pois a cidade está cheia de Universidades onde se formam os melhores clérigos das diferentes dioceses e congregações do mundo.

Há muitíssimas religiosas, pois todas as congregações têm aqui sua casa geral e portanto têm uma comunidade mais ou menos ampla, além de uma casa de estudos. Em definitivo, em Roma há de tudo e se há um lugar no mundo onde, aparentemente, não há nada por fazer e já está tudo feito, esse lugar é Roma.

Nós, os Franciscanos de Maria, fundamos uma comunidade aqui pelo mesmo motivo que fundaram os demais há quase dois mil anos: para estar perto de São Pedro, perto do Papa.

Mas não se tratava só de estar em Roma, o qual é mais ou menos acessível em função do dinheiro que se tenha para se instalar em uma das cidades mais caras da Europa, ao menos no que se refere a apartamentos.

Trata-se de estar em Roma e levar a cabo aqui o carisma que o Espírito Santo depositou em nossa família espiritual, o carisma do agradecimento e da defesa da Igreja e do Papa. Isso, aparentemente, era uma tarefa que raiava o impossível.

A Divina Providência veio em nossa ajuda e não nos faltou em nenhum momento o auxílio da Virgem, pois, como dizia São João Bosco falando dos salesianos, “entre nós tudo por Maria”. Assim, logo encontramos trabalho no Vaticano, colaborando com nossa experiência televisiva no desenvolvimento dos meios de comunicação do Pontifício Conselho para a Família.

Isto nos assegurou uma missão relacionada com nosso carisma e também uma certa ajuda econômica. Mas nos faltava algo muito importante, a pastoral direta. Aparentemente isto era muito mais difícil, quase impossível, devido a esse superávit do clero que há na cidade eterna.

No entanto, uma vez mais, Deus veio em ajuda de nossa debilidade e contra todo prognóstico e em um tempo muito breve –apenas levamos quatro meses- nos concedeu o uso de uma igreja situada junto a nossa casa, em pleno centro histórico. Trata-se de ‘San Lorenzo in Fonte’, na Via Urbana 50, a igreja construída sobre o cárcere onde foi encerrado São Lourenço, o diácono espanhol mártir, antes de ser queimado na grelha.

Nesta igreja erigida em honra de um mártir espanhol –morreu no ano de 258-, os Franciscanos de Maria começamos nossa pastoral entre os hispanos de Roma. Antes de tudo, com a Santa Missa diária e as confissões antes da Missa.

Daqui, como ponto de referência, partimos para oferecer nossa atenção pastoral não só aos hispanos que residem na capital do mundo católico, mas também a todos os peregrinos de língua espanhola que chegam à Roma e não tem um guia espiritual.

No primeiro sábado de mês organizamos uma visita às catacumbas de São Calixto, com a celebração da Eucaristia dentro das mesmas, em uma daquelas capelas que usaram para esse mesmo fim os cristãos, quando eram perseguidos pelos romanos.

Outro sábado o dedicaremos a acompanhar os peregrinos ao Vaticano e, se se nos avisarem com o tempo suficiente, poderemos celebrar para eles uma Eucaristia na cripta onde estão enterrados os Papas.

Outro sábado estará dedicado a visitar a belíssima basílica de Santa Maria Maior, cujos formosos painéis estão forrados com o ouro que vinha da América e que os reis espanhóis regalavam esta igreja erigida em honra a Maria.

E outro, por fim, se visitará a espetacular basílica de ‘São Paulo fora dos muros’. Sempre que for possível, em função do tempo que nos avisarem, celebraremos a missa em espanhol em cada um destes lugares sagrados que constituem o coração da Igreja em Roma.

Através disto, aqui junto a São Pedro, junto ao Papa, queremos oferecer a todos nossa experiência religiosa, nossa espiritualidade.

E dizer em seguida: tens que amar a Deus que tanto te ama, tens que ser agradecido a Ele e dar a Ele o que te pede e merece.

http://www.magnificat.tv/es/node/2777/2

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por euvimparaquetodostenhamvida

«A única forma de negar a Deus é instaurando o mal: esse é o passo que tem dado nosso mundo»

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Juan Manuel de Prada, extensa entrevista

«A única forma de negar a Deus é instaurando o mal: esse é o passo que tem dado nosso mundo»

O autor de «A morte me encontrará» confessa que sua cosmovisão cristã é « dilacerada e tortuosa», e não «bom mocinho, beata nem piegas».

ReL -14 janeiro 2013 – religionenlibertad.com

Juan Manuel de Prada, retornando para saborear o sucesso de crítica e de vendas com uma novela após a publicação de “A morte me achará” (Destino), concedeu neste domingo a Alfonso Armada para ABC uma das entrevistas mais extensas e profundas de sua carreira literária.

Um católico nada “bom mocinho”
Definido por seu entrevistador como “um artesão da literatura que leva com graça sua condição de católico empenhado em dar testemunho contra o vento e a maré”, Prada abordou múltiplas perspectivas de sua percepção do mundo em todos os âmbitos: literário sobretudo, mas também filosófico, religioso, político, econômico…

“Eu sou um escritor bastante do contra nestes tempos. Primeiro porque tenho uma cosmovisão cristã, a qual já te converte em um escritor do contra. Mas além disso é uma cosmovisão cristã, mas dilacerada ou tortuosa, não uma cosmovision cristã luminosa, ou de ‘bom mocinho’, que é o que hoje em dia se vê mais”, afirmou resumindo. Nesse sentido se sente “muito identificado” com Miguel de Unamuno, ainda que sem mitificar o pensador vasco: “Mesmo chegando a conclusões distintas minha relação com o sobrenatural é muito unamuniano, de uma tensão forte”.

Há em Prada “uma rebelião constante, uma tensão muito forte e um desejo de crer para sentir-me imortal. Porque eu creio que essa é a vocação natural de todo ser humano. Se não, desde o momento em que deixamos de nos sentir imortais nesta vida nos carregamos de angústia, porque então te perguntas por que tenho necessidade de escrever, por que tenho a necessidade de comover-te com a beleza. Se não a contemplas como uma reverberação ou como um eco de uma beleza suprema que vais contemplar em outra vida de repente tudo deixa de ter sentido, parece como uma piada macabra”, explicou para dar o sentido último em sua carreira de escritor.

“Na Divisão Azul se alistaram quase 50.000 jovens espanhóis dos quais me atreveria a dizer que 90 por cento foi porque acreditavam firmemente que o comunismo devia ser combatido”, afirma Juan Manuel de Prada na entrevista. Que Deus intervenha em nossa vida.
Reclama-se que “existe ostentação de seus sentimentos religiosos, que é algo que também o distingue”, falou Armada. “Quando alguém vai tomando a sério certas coisas, como em meu caso que pode ser a fé”, responde, “é que mesmo que não queiras há algo que te arrasta, algo superior a ti. Há muita gente que tem posições ideológicas muito mais fortes que a minha e não tem estes problemas. Isto é ódio religioso. E eu por prudência ou por interesse procuraria dissimular mais isto. Mas não podes… Isto é também muito cristão. Deixar que Deus intervenha em nossa vida e não opor resistência, entre outras coisas porque tratei de opô-la e houve outros momentos em minha vida, por medo, por temor, pela hostilidade que descobres, no que me disse: vamos tratar de ser mais contemporizador ou mais camaleônico. Porém tampouco consegues”.

“A realidade é que eu creio nas coisas”, continua: “Um dos grandes problemas que tenho é precisamente por definir-me como uma pessoa católica. Muitos católicos, diante de minha literatura, se retraem um pouco. Suspeito que esperam encontrar em minha literatura… uma coisa beata, açucarada, piegas. E tropeçam com o contrário. É porque eu sou um escritor profano. Reivindico o ser católico, mas o ter umas inquietudes profanas e portanto em minhas novelas tem que estar presente o mal, realidades do mundo. Minha literatura é problemática”.

Da direita, mais que católicos
E evocando a profecia do ancião Simeão à Virgem Maria, de que Jesus seria “sinal de contradição”, Prada acrescenta: “E eu creio que de alguma maneira, hoje em dia, em nosso mundo, ser cristão é isto: ser sinal de contradição. Aí não há representação, mais além, repito, de que inevitavelmente ao assumir uma responsabilidade alguém muitas vezes se converte sem pretender na fachada de algumas posições”.

Mas atenção, porque essas posições podem não ser o que parecem: “Na Espanha, não nos enganemos, do mesmo modo que nos anos sessenta e setenta o católico foi utilizado pela esquerda, hoje em dia o católico também é utilizado pela direita e isto faz que muita gente que é mais da direita que católica se sente enganada contigo, ou vice-versa”.

Do mal ao teocentrismo
Como tem sublinhado em todas as interpretações sobre “A morte me encontrará”, nesta novela o mal está muito presente: o mal mediante o qual se pode conseguir um bem, um dilema moral tão velho quanto a Humanidade: “O mal pode chegar a ser algo rotineiro e não algo necessariamente aflitivo nem comprometedor para quem o comete. Mas o problema do mal é que te vai curtindo, vais criando calo, vais perdendo sensibilidade e o mal vai se apoderando de ti sem que perceba. O mal sempre te passa fatura”.

Um pouco mais adiante na conversa, Prada volta a mostrar sua colocação teocêntrica da existência: “Não creio que o homem seja o centro de todas as coisas, creio que Deus é o centro de todas as coisas, e o homem, como criatura, foi colocado aqui para exercer um domínio responsável pelo mundo de forma delegada, digamos assim”.

Dinheiro, como tal, o mercado, sim, o capitalismo não é nada
Em sua análise de nosso mundo, reitera sua crítica à idolatria do dinheiro: “Sempre se disse que Cristo era contra o dinheiro. Isso não é completamente certo. De fato, Cristo tinha um montão de amigos ricos, desde Nicodemos a José de Arimateia, graças ao qual pôde ser enterrado dignamente. Ele tem amigos ricos, recorre a eles… O que Ele tem contra o dinheiro é quando ele é convertido em religião, daí a frase «não podeis servir a dois senhores, não podeis servir a Deus e ao dinheiro»…. E isso é o que temos feito com o dinheiro: o dinheiro deixou de ser um sinal que significa o valor das coisas, e que se remetia em si mesmo ao valor que as coisas têm, e o temos convertido em algo espiritual, em algo que está desprendido da riqueza natural, que deixou de representar o valor das coisas e que representa um valor fantasmagórico, e assim nos pusemos a criar dinheiro fantasmagórico”.

Quanto ao capitalismo, faz uma distinção: “Que agentes livres possam trocar seus produtos, ou que possam vender seus produtos enquanto outros agentes livres também os compram, é estupendo. E podemos estar todos de acordo. Eu escrevo um livro, se o vendo a uma editora, a editora o vende aos senhores que o querem comprar. As relações humanas sempre foram tecidas assim. Mas o capitalismo ées também uma antropologia, não é uma maneira de organizar as relações humanas… Estamos sob um regime capitalista que é exatamente igual ao materialista que é o comunismo, e que mediante a deificação do dinheiro, e de um dinheiro desencarnado da riqueza natural das nações, se converteu em ídolo. Para alcançar esse ídolo se destruiu nossos vínculos sociais, se introduziu a imoralidade como regra de conduta estabelecida, consentida, admitida”…

Falha o diagnóstico
Por isso se irrita quando esse elemento é eliminado da relação de males contemporâneos: “Nunca se analisou como esta ordem econômica contribuiu para a destruição da família, sempre se fala do relativismo, do hedonismo, que diabos, o capitalismo, senhores! O capitalismo que nos obrigou a jornadas de trabalho enlouquecidas, que por avareza temos anteposto sobre o cuidado de nossas famílias outras questões. O capitalismo destruiu os cimentos de nossa vida e não nos temos dado conta”.

O bem e o mal: a lei natural
Em outro momento da entrevista, Prada recorda a doutrina clássica da lei natural: “Creio na lei natural. Precisamente porque creio em Deus creio que Deus a quis, porque a fé não pode ser obrigatória, é um dom que alguém recebe, outros não, mas o Deus em que creio conta com isso, porque nos deu liberdade. Creio que o homem tem uma noção natural do bem e do mal. Na realidade esta é a definição aristotélica de homem: o homem é o único animal com capacidade para fazer um juízo ético objetivo, com capacidade para discernir entre o bem e o mal. Isso é o que distingue o homem durante toda a história. Eu creio que sim, o homem é iluminado por este conhecimento natural ético. Absolutamente, sim. Um homem que não crê pode ser bom. Sim o creio”.

Qual é então o problema de nossa época? Que “a negação de Deus nada mais tem a ver com a incapacidade para encontrar a Deus ou com a falta de fé. A negação de Deus hoje é mais uma guerra. A única forma que o homem tem de negar a Deus na realidade é, da mesma maneira que tem de apagar a noção de Deus, é instaurando o mal. Esse é o passo que deu nosso mundo eu me atreveria a dizer nos dois últimos séculos. Eu creio que homens bons, com capacidade de discernimento ético ao longo da história tem havido sempre, e não acreditavam. O que há hoje é essa rebelião contra Deus que nos leva a entronizar uma anti-lei divina. Não somente é que nós não cheguemos aos Dez Mandamentos através da fé, sempre existiu a certeza moral, o que os mandamentos te impunham, mais além da adoração a Deus. Se não crês, o restante o podia compartilhar com qualquer pessoa. Mas hoje em dia não. Hoje em dia a negação de Deus vai acompanhada da negação desta capacidade de discernimento sobre o bem e o mal”.

E não é maniqueísmo: “Ao contrário… Em qualquer pessoa honesta há uma busca de Deus inevitável, porque a busca de Deus é a busca de um sentido na vida… Creio que a busca de Deus em qualquer pessoa se dá. Não posso imaginar que uma pessoa, salvo que esteja absolutamente fanatizada, que não se coloque esta pergunta. O que passa é a presença deste fenômeno novo de ser contra Deus”.

A morte, essa porta…
Por último, Juan Manuel de Prada afirma que não teme morrer: “Não, não me dá medo. Evidentemente desejo aproveitar esta caminhada terrena, mas lhe confessarei que de todos os dogmas da fé que professo o que me parece mais arrebatador e maravilhoso é a ressurreição da carne. Tenho uma imensa curiosidade em saber como será essa vida em que creio com a fé de um cavalo”.

Clique aqui para ler em sua integridade a entrevista em ABC, onde Juan Manuel de Prada aborda numerosos aspectos de sua visão de vida e a literatura.

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por euvimparaquetodostenhamvida