Surpreendente descoberta: «William Shakespeare era católico»

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Surpreendente descoberta

«William Shakespeare era católico»

 Os críticos Peter Milward, Peter Ackroyd e Elisabetta Sala argumentam com vários estudos o catolicismo do escritor e de sua obra.

Antonio Giuliano/A bússola cotidiana – 27 agosto 2012 – religionenlibertad.com

Católico ou não católico, este é o problema, se poderia dizer parafraseando a frase de Hamlet. Na realidade, a tese que existe há anos é de que o grande William Shakespeare foi fiel da Igreja de Roma, hoje é muito más que uma hipótese.

A confirmação nos chega de um surpreendente número de livros publicados recentemente. E é que, se finalmente um autor popular laico inglês como Peter Ackroyd o admite em seu Shakespeare: Uma biografia (Neri Pozza), convincente e bem ponderado é o último volume da inglesa Elisabetta Sala “O enigma de Shakespeare”: Cortesão ou dissidente? (Ares).

A autora que escreveu Elisabeth, a Sanguinária (Ares), havia desmascarado brilhantemente a propaganda que rodeia a época elisabetana, e trás à luz a dissidência do dramaturgo e suas relações com os católicos perseguidos pela rainha.

Quem não teve nunca dúvidas hamletianas sobre o catolicismo de Shakespeare e há anos peleja contra uma certa crítica ainda suspeita é Peter Milward, jesuita inglês, professor de Literatura Inglesa na Universidade Sofia de Tókio, máximo ‘expert’ da religiosidade do Bardo.

“É uma hipótese que sustento desde 1973, quando publiquei meu primeiro livro Shakespeare´s Religious Background (O fundo religioso de Shakespeare). Hoje afortunadamente são muitos os livros que relançam esta questão, mas há ainda um certo prejuízo acadêmico que é difícil erradicar”.

– Professor Milward: Por que está tão convencido de que Shakespeare era católico?
– Sabemos que seu pai, John Shakespeare, recopilou de seu punho e letra um testamento espiritual que se encontrou escondido entre as vigas do teto de sua casa da rua Henley em Strafford. Aquele documento (do qual hoje temos uma cópia de 1700 reconhecida como autêntica) foi provavelmente escondido ali em tempos da Conspiração de Somerville de 1583, quando também os familiares maternos, incluida a mãe de Shakespeare, Mary Arden, por causa de sua fé foram submetidos à acusação de alta traição por Sir Thomas Lucy di Charlecote Park. E os nomes tanto do pai John (en 1592) como de sua filha Susana Hall (em 1606) figuram na relação de católicos que se negavam, daqueles que rechaçavam ir às funções obrigatórias religiosas do Estado.

Eram anos de caça aos dissidentes católicos como consequência de um anúncio severo lançado em nome da rainha em 1591, e outro no dia seguinte da Conspiração da Pólvora de 1605.

– Como é que a Rainha Elisabeth I (1533-1603) tão feroz com os católicos o aceitou na corte?
– Obviamente em uma tal situação de perseguição, Shakespeare foi obrigado a silenciar sua fé católica. Teve que viver de forma mascarada, como seu Edgar em Rey Lear , e assim permanece até hoje. Sua máscara era a de um personagem menor de idade, de alguém que ele mesmo chamaria o “bufão”. Duvido que a rainha Elisabeth haja intuído sua camuflagem (mesmo tendo hoje autores convencidos disso).

Sabemos,no entanto, por exemplo que a rainha se deu conta da Fé católica do grande compositor William Bird e lhe consentiu permanecer na corte porque tinha necessidade dele para a música da capela real. Do mesmo modo poderia ter atuado com Shakespeare porque valorizava seu trabalho, sobretudo as comédias e especialmente o personagem de Sir Jhon Falstaff.

Foi obrigado, portanto, a recorrer aos símbolos para não incorrer na censura?
– Sim. São certamente os símbolos, as imagens ou os temas a que recorre em seus trabalhos para mostrar seu catolicismo. Tomemos como exemplo um tema como a peregrinação. Está presente em muitas de suas obras: Ricardo II, O Mercador de Veneza, Como gostais e Rei Lear. O costume de recorrer à peregrinação era tipicamente medieval e católica, mas foi proibida pelos protestantes nos tempos de Henrique VIII, que fechou todos os santuários na Inglaterra.

Outra imagem típica dos católicos perseguidos na Inglaterra foi por exemplo a condição de desterro e da marginalidade que não por casualidade reaparecem em suas obras. Como quando Ricardo II, no momento de ser destronado, aconselha sua dolorida rainha retirar-se para França e entrar num convento como forma de alcançar “a coroa de um novo mundo”, enquanto ele deverá suportar a prisão.

Outro tema é a forma na qual o dramaturgo trata aos frades em obras como Romeu e Julieta, Muito barulho por Nada e Medida por medida. Enquanto os dramaturgos protestantes como Robert Greene e Chistopher Marlowe os tratam com escárnio como personagens ridículos, Shakespeare os respeita e o faz de modo que também seus personagens os respeitem.

– Quais são as demais obras que manifestam sua fé?
– Em um de meus livros ‘Influências bíblicas nas grandes tragédias de Shakespeare’ (editada pela Universidade de Indiana) analizei, ato por ato, linha por linha, as quatro grandes tragédias Hamlet, Otelo, Macbeth e Rey Lear, encontrando certamente numerosas referências da Bíblia. Sobretudo das últimas três escritas no começo do reinado de James I (para Hamlet reinava ainda Elisabeth I) as considero todas em conjunto como as “obras da paixão de Shakespeare” porque fazem voltar ao evangelho da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Mas em meu último livro ‘Shakespeare the Papist’ demonstro como todas as obras admitem uma interpretação católica e bíblica, Se não se admite este substrato, este fundo católico, muitas obras permaneceriam enigmáticas.

– Causou assombro também a declaração do Primaz da Igreja Anglicana, Roman Williams, que admitiu o catolicismo do Bardo.
– Estou muito contente. O mesmo arcebispo de Canterbury me confiou que amadureceu esta convicção também pela leitura de alguns de meus escritos. Mas não é suficiente reconhecer que Shakespeare foi católico. É necessário tomar nota de que nos encontramos frente a um testemunho importante daquele catolicismo inglês que foi cruelmente perseguido por Henrique VIII e por Elisabeth I e por seus cruéis ministros, Thomas Cromwel e William Cecil.

– Apesar de tudo persistem ainda muitas desconfianças em relação à esta hipótese …
Há sobretudo um secular prejuízo acadêmico de parte de um grupo de estudiosos de Shakespeare. Eles gozam de tribunas universitárias importantes e de publicidade midiática. O problema é que alguns autores como Peter Ackroyd admitem o fundo católico de Shakespeare. Mas não se pode compreender seu papel de testemunha do cristianismo e seu catolicismo se não se estuda a fundo suas obras e não se tem em conta as duras perseguiçõs desse tempo.

Shakespeare viveu certamente em uma época na qual os católicos ingleses viviam com medo como os cristãos coptas hoje no Egito. Inclusive os sacerdotes, inclusive os jesuítas, temiam ser descobertos, presos, feitos prisioneiros, torturados e julgados como traidores. Ele não foi ao encontro do martírio, mas tinha uma grande fé católica.

E se sentiu comprometido como dramaturgo, na missão de proclamar a verdadr de sua época e da fé dlo que Hamlet chama “o mundo ainda não conhecido”.

(Traduzido por José Martin Alonso)

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por euvimparaquetodostenhamvida