Os ensinamentos de Anselm Grün vão contra a doutrina da Igreja Católica

 
Anselm Grün
CENTRAL DA REDAÇÃO, 23 Maio 12 / 11:27 am (ACI).- O diretor de ACI Prensa, Alejandro Bermúdez Rosell, afirmou que os ensinamentos difundidas pelo monje beneditino Anselm Grün são heréticos, pois vão contra a doutrina da Iglesia Católica, a qual não é “uma coisa menor ou discutível”.

Em seu podcast Ponto de Vista de 23 de maio, Bermudez criticou que em suas conferências e livros, Grün tenha reduzido as Sagradas Escrituras a “um manual de terapia psicológica”.

“O Padre Grün, em vez de oferecer uma alternativa à auto-ajuda New Age se incorpora à ela”, disse.

Bermudez explicou que os problemas não são as boas intenções ou a pessoa de Anselm Grün, mas que o monje que esteve há pouco na Colômbia, através de seu ensinamento, está “empurrando a todos seus leitores por um caminho que é apresentado como se fosse doutrina da Igreja quando é completamente o contrário”.

O diretor de ACI Prensa assinalou que, em sua interpretação de diversas passagens bíblicas do Antigo e do Novo testamento, o monje benedictino tira “todo sentido sobrenatural e religioso, dizendo que são simplesmente metáforas psicológicas”.

O sacerdote jesuita Gabino Tabossi também criticou a proximidade de Grün com diversas heresias e com teorias psicológicas contrárias ao ensinamento da Igreja Católica.

Como exemplo, o Pe. Tabossi disse que, em uma de suas obras, Grün considera a relação entre Abrahão e Isaac como “despótica e a que têm com Deus neurótica e fictícia”.

“Tal interpretação, além de psicologística, é pouco ecumênica: que não se interem nossos irmãos mais velhos que um católico tratou de doente e sem juízo o progenitor do judaísmo!”.

O Pe. Tabossi denunciou que o monje beneditino, em seus textos, “relativiza o catolicismo quando prevê que a fidelidade à própria conciência, mais além de qualquer religião, é caminho seguro para a salvação”.

O jesuíta também destacou que enquanto a Igreja ensina que Jesus foi Deus desde sua concepção, “a teologia de Grün ensina o parecer de que Jesus se foi fazendo Deus sobretudo a partir da iluminação que recebeu no dia de seu batismo”.

De acordo com o Pe. Tabossi, a ética do Pe. Grün ensina que “para salvar-se e ser feliz há que pecar, ou ao menos, evitar o desejo de erradicação do que nossos preconceitos culturais consideram como condutas ‘anormais’”.

“Nosso autor crê que o pecado original foi uma coisa necessária e louvável enquanto que, por causa dele, os primeiros pais puderam ‘conhecer o bem e o mal’, ganhar em conciência, aumentar a própria ciência moral”.

Por sua parte, o Arcebispo de La Plata, Mons. Hector Aguer, qualificou de “perniciosíssimo” a Anselm Grün, por ser um eco da cultura New Age.

Mons. Aguer indicou que toda a espiritualidade difundida por Grün está baseada nas teorias de psicanálise de Carl Jung, abundantes em gnosticismo.

Para o Prelado, o trabalho do monje beneditino “é uma espécie de transcrição pseudo-espiritual da simbologia de Jung. Isso vai acabar mal”.

Para escutar o ponto de vista de Alejandro Bermudez, clique em: http://www.aciprensa.com/podcast/puntodevista/El_Problema_con_Anselm_Grun-puntodevista23may12.mp3

Mais informação sobre Grün em http://www.aciprensa.com/controversias/

por euvimparaquetodostenhamvida

Uma visão de Deus e do mundo – Gustave Thibon

ReligionenLibertad.com


Gustave Thibon: as confidências íntimas de um dos grandes pensadores católicos do século XX

Muito lida também na España, a revista francesa ‘Família Cristã’ traz no último número de sua edição.

C.L. / ReL – 13 mayo 2012 – religionenlibertad.com

Surpreendentemente para um autor que, nascido em 1903, morreu em 2001, Gustave Thibon ocupa a capa do último número da revista ‘Família Cristã’, a mais influente da França no âmbito católico.

A razão é a próxima chegada às livrarias de várias de suas obras em novas edições. Mas o que dá atualidade permanente para este autor é a influência de seu pensamento mais além de sua própria geração, que recorda o fecundo encontro de Thibon com a escritora Simone Weil (1909-1943) como uma raíz frutífera para a intelectualidade cristã no século XX.

Thibon foi muito publicado e lido na Espanha: Sobre o amor humano (O Boi Mudo) é, com destaque, o mais difundido desde os anos sessenta (quando a editou Rialp), mas já neste século a editoria Belacqva publicou ‘Um olhar cego para a luz’ ou ‘O equilíbrio e a harmonia’.

Como homenagem a Thibon, a ‘Família Cristã’ francesa reproduziu a entrevista toda que fez em 1993, na ocasião de seu nonagésimo aniversário, e da qual publicamos algumas respostas.

Família cristã – Qual é sua idéia de felicidade terrena?

Gustave Thibon – Saber acolhê-la toda sem reter nada.

Família cristã – Qual é seu santo preferido?

Gustave Thibon – São João da Cruz. O Doutor da noite, o mais extremista de todos os santos, com quem Nietzsche se teria entendido bem. Sou realista porque defendo os “meios de apoio”: sei que um Deus sem Igreja é o princípio de uma Igreja sem Deus. Mas sou extremista por minha atração pela teologia negativa, a mística da noite, o “Deus sem base nem apoio”, que era o de São João da Cruz e o meu hoje.

Família cristã -Em que século teria gostado de viver?

Gustave Thibon – No século XII, o mais livre dos séculos, o da unidade da Europa, cultural e espiritual. Também teria gostado do século XVIII, por sua finura de espírito.

Família cristã – Qual é sua ocupação preferida?

Gustave Thibon – Caminhar pela natureza. “Só se pode pensar sentado”, escrevia Flaubert, a quem contestou Nietzsche: “As grandes idéias chegam caminhando”.

Família cristã – Qual é o principal traço de seu caráter?

Gustave Thibon – A docilidade. Sempre me deixei levar: pelos homens, pelas mulheres, pelas circunstâncias. Prefiro obedecer a mandar, que me conduzam a vida e seus azares, que é o caminho que Deus toma quando quer passar incógnito.

Família cristã -Qual é vosso sonho de felicidade?

Gustave Thibon – A felicidade não se sonha. Está em toda parte, a condição de acolhê-la toda como dom de Deus.

Família cristã – Qual é sua passagem favorita do Evangelho?

Gustave Thibon – “Pai, por que me abandonastes?”. Esse grito me comove muito hoje. Sobre a Cruz, Deus desespera de si mesmo, e, se se me permite dizê-lo, morre ateu. Creio, com Chesterton, que “nossa religião é a boa porque é a única na qual Deus foi ateu por um momento”. Amo a esse Cristo em agonia, o Homem das Dores, Deus infinitamente fraco, Deus abandonado por Deus. Também aprecio muito a passagem da mulher adúltera. Deus é às vezes exigência infinita e indulgência infinita. Ele nos perdoará o que nós não nos atrevemos a perdoar-nos a nós mesmos. Amo as histórias de misericórdia. Quando se envelhece, a gente se faz mais indulgente com os demais.

Família cristã – Como definiria o inferno?

Gustave Thibon – Como Simone Weil: “Acreditar no Paraíso por erro”.

Família cristã – E a morte?

Gustave Thibon – Como Gabriel Marcel: o “exílio absoluto”, um salto vertiginoso que não quero imaginar. Não há que roubar-lhe sua virgindade, tirar-lhe o encanto à esse retorno à pátria. Porque nossa vida é um exílio. Ficaremos estupefatos quando virmos as linhas curvas com as quais Deus escreveu, até que ponto o bem e o mal se entrelaçam. Creio na solidariedade do bem e do mal, da palha e do grão. Às vezes existem virtudes que nos perdem e pecados que nos salvam, por si mesmos, senão por ressurgimento. Há momentos nos quais há que arrepender-se das virtudes tanto como dos pecados.

Família cristã -Vossa oração preferida?

Gustave Thibon – A Salve-Rainha, Maria: misericórdia ejustiça que desarma.

Família cristã – Seu verso favorito?
Gustave Thibon – “Ela olhava para cima, e eu a ela”: Dante, vendo o reflexo de Deus no olhar de Beatriz, já salva.

Família cristã – O que detesta acima de tudo?

Gustave Thibon – A inveja, esse vício que ninguém confessa. Todo o mundo é invejoso, mais ou menos, mas ninguém o confessa porque seria reconhecer-se inferior. Preferimos confessar os pecados por excesso: a gula, a luxúria…

Família cristã – Qual é o grande mal de nossa época?

Gustave Thibon – Exigir para nosso tempo as promessas da eternidade. Simone Weil -o grande encontro de minha vida- o dizia: “Deus e o homem são como dois amantes que se equivocam sobre o encontro; o homem espera a Deus no tempo, e Deus espera o homem na eternidade”.

Família cristã – A virtude mais necessária hoje?

Gustave Thibon – A reação contra o conformismo que se oculta debaixo da máscara da liberdade. Assistimos a uma curiosa inversão do respeito humano. Esta época que provoca as guerras mais sangrentas em nome da liberdade constitui um escândalo único na história. Dado o grau de moralidade teórica do século XX, tais horrores não deveriam ser possíveis. Nosso tempo é, mais que nenhum outro, o tempo do farisaísmo e da hipocrisia: é o reino das verdades cristãs que se tornam loucas que dizia Chesterton.

Família cristã – Como se definiria você?

Gustave Thibon – Um anarquista conservador. Conservador em relação à tradição, anarquista em relação às modas e ídolos do século. A marginalidade me permitiu escapar às glorias e as condecorações.

Família cristã – Que fato militar admira mais?

Gustave Thibon – A batalha de Lepanto.

Família cristã – Que é o que mais lhe surpreende?

Gustave Thibon – A debilidade de Deus: ver até que ponto Deus está desarmado. Fez depender o mais alto do mais baixo. O superior depende do inferior, mas o contrário não é assim. Deus necessita do homem, mas o homem se afasta totalmente de Deus, se fez escravo das segundas causas .

Família cristã – Sua palavra de amor preferida?

Gustave Thibon – “Ti voglio bene”, “Te quero” em italiano, porque significa “Te desejo o bem”. Amar ao outro é dizer-le: “Tu não morrerás”. Quanto ao amor, eu gosto do excesso, esse “o escolhi todo” de Santa Teresinha do Menino Jesus, ou essa frase de um camponês, meu vizinho, sobre sua mulher amada: “Quando a olho, já não a vejo”. O amor humano é a sede do infinito aplicada ao finito. Os grandes momentos do amor humano são de chamada, mais que de plenitude.

Família cristã – Sua definição de homem casado?

Gustave Thibon – Quem, na ressaca, mantém as promessas da bebedeira. Minha experiência me ensinou que não se casa só porque ama, senão para amar.

Família cristã – Qual será seu epitáfio?

Gustave Thibon – “Adieu, à Dieu”: “Adeus, vou-me com Deus”.

Família cristã – E suas últimas palavras?

Gustave Thibon – Senhor, ponho minha alma em tuas mãos. Também gosto das últimas palavras da última carta de minha amiga Marie Noël: “Durmo-me em Deus”. Ela tinha perdido o Deus de sua infância e o descobriu numa noite sem estrelas. No final dessa “luta desesperada de salvar Deus”, constatou que “Deus não é um lugar tranquilo”.

Clique aqui para ler o texto completo da entrevista (em francês).

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por euvimparaquetodostenhamvida

Omar era un soldado mussulmano quando lhe falaram de Santa Bakhita: hoje, católico, deseja ser padre.

Estuda no seminário do Sudão, e necessita ajuda.

Uma escrava, sequestrada quando era uma menina de 9 anos em Darfur, Sudão, é a grande santa nativa deste enorme país. Omar estudava técnicas de paraquedismo na Líbia de Gadafi quando lhe falaram dela.

Pablo J. Ginés/ReL – 1 mayo 2012 – religionenlibertad.com

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“Chamemo-lo de Omar, para proteger-lhe”, começa sua história o padre Jorge Naranjo, missionário comboniano de 38 anos, natural de Majadahonda, perto de Madri. Este sacerdote se dedica a suscitar vocações consagradas no Sudão, um país islâmico com um regime radical, salafista.

“Omar é sudanês de Darfur. Esta é uma zona de Sudão quase sem cristãos. Ali estão, por exemplo, os famosos janjawid, milícias armadas pelos islâmicos que atacam os civís. Omar era mussulmano e soldado do governo contra os rebeldes. Na Líbia, onde treinava como paraquedista -quando o regime sudanês ainda estava bem com o coronel Gadafi- conheceu um sudanês do sul que lhe disse: ´Anda, és de Darfur, como Santa Josefina Bakhita´. E lhe falou algo desta santa”.

A escrava e São José Maria

Santa Josefina Bakhita é conhecida na Espanha, sobretudo, porque foi canonizada em Roma em outubro de 2000, junto com Sãoan José Maria Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei. Porém sua história é todo uma jornada: foi sequestrada e escravizada aos 9 anos, maltratada e explorada por diversos patrões, finalmente chegou à Itália, ingressou na vida religiosa e morreu como tal em 1947, exemplo de alegria, perdão e confiança na Providência para muitos.

A historia não impressionou demasiado ao princípio a Omar . Pareceu-lhe curioso que no estrangeiro conhecessem uma pessoa de seu país. Passou o tempo e voltou a Cartum. E ali se aproximou dele um dia um missionário comboniano. Estava fazendo um estudo sobre Josefina Bakhita! Necessitava de alguém que conhecesse Darfur e o acompanhasse nessa região, porque queria conhecer os parentes e descendentes da família da santa.

Batizar-se é perigoso

Assim, Omar se converteu por seu acompanhante… e conheceu em profundidade Santa Josefina, sua vida, os cristãos, a sua forma de celebrar, de recordar, de perdoar… E pediu para ser batizado, ali mesmo, em Darfur. Mas era algo muito perigoso: muitos o conheciam ou poderiam fazer circular a notícia. Um soldado mussulmano, paraquedista, batizado! O missionário o acalmou.

Mas Omar seguia convencido. De volta a Cartum, um tempo depois, aproveitando o anonimato da capital sudanesa, se batizou. “Eu o conheci em um dos grupos vocacionais que se criou: está querendo ser sacerdote. É uma história mais incomum!”, explica o padre Jorge.

Ser seminarista no Sudão

E se se fizesse seminarista? Estudaria no seminário nacional de Sudão, que durante décadas esteve em Cartum (a capital do regime islâmico era o lugar mais seguro durante a guerra: ali não caíam bombas), e agora está mudando para Juba, capital de Sudão do Sul, onde vive a população cristã. “A missa no norte do Sudão, onde havia muitos imigrantes e refugiados cristãos de diferentes zonas do sul, a fazíamos em árabe, mas as aulas do seminário damos em inglês, e além disso há poucos livros de teologia católica em árabe, os usamos em inglês”, explica o padre Jorge.

Os estudos dos seminaristas em territórios de missão os tutela e confirma à Universidade Urbana de Roma, da Propaganda Fide. Mas, para financiar, dependem da Providência e da generosidade dos cristãos. A melhor forma de ajudar é através da Obra Pontifícia São Pedro Apóstolo, que no domingo passado celebrou o Dia do Clero Nativo. Um sistema muito estendido para apoiá-la é o das bolsas de estudo (por exemplo, com 2.000 euros se apoiam os 6 anos de formação de um seminarista). Muitas vezes grupos de fiéis, confrarias ou matrimônios se decidem a “patrocinar” assim, a um seminarista. A Obra São Pedro Apóstolo é a que está possibilitando o estabelecimento do seminário no Sudão do Sul.

Da mecânica quântica às missões

E o padre Jorge Naranjo? O que foi que o levou da comunidade autônoma de Madri ao remoto Sudão? Ele recorda perfeitamente o momento chave de sua própria vocação. “Foi em 25 de novembre de 1996. Eu estava estudando Mecânica Quântica I, em meu quarto, às escuras, só com um reflexo de luz. E de repente senti com clareza que Deus queria que eu fosse missionário, que deixasse tudo. E me encheu de uma alegria imensa, com um pulsar no coração, que me durou vários dias. Ia para à escola, na aula de Ciências Físicas, mas não entendia mais nada, estava distraído, sempre muito contente”.

Assim acabaram vários meses de dúvidas, de perguntar a Deus “o que queres de mim”, depois de ter passado o veraãno como voluntário em umas missões no Perú. Em março de 2006 começou a trabalhar com cristianãos sudaneses refugiados no Egito, onde estudou a língua árabe e Ciências Islâmicas durante dois anos. Depois, Sudão. “Ali ensinou que Deus tem um plano para a vida de cada um de nós”.

Um soldado bêbado com um fuzil Kalashnikov

Jorge chegou depois da guerra, mas isso nem sempre significava segurança. “Passei medo uma vez, no Sudão do Sul, quando tive que levar um soldado bêbado com seu fuzil Kalashnikov no furgão; nesses casos hás de ter cuidado com o que dizes”.

O sacerdote comboniano explica também que “os cristãos sudaneses contam histórias chocantes sobre seus catequistas, que morreram anunciando o Evangelho. Só duas coisas uniam o Sul do Sudão, dividido em muitas etnias: o inimigo, que é o norte, e a fé cristã. Por isso, as tropas do norte quando chegavam a um povoado sempre buscavam os catequistas, fatores de unidade, para matá-los”.

O perdão em uma cultura vingativa

Não é fácil pregar o Evangelho do amor e do perdão em um país que saiu de uma guerra, onde todos têm parentes assassinados. “Nas culturas tradicionais africanas, a vingança é normal. Também na literatura clássica pré-islâmica. Perdoar é como a prova definitiva de que és verdadeiramente cristão, e é algo que não assumem muitos, incluindo alguns sacerdotes. Mas podes pregar o perdão partindo de coisas tangíveis, que muitos veem, como que a espiral da vingança é inútil e daninha”, explica o padre Jorge.

Saem assim almas generosas, “como Santino Akon, que arriscou sua vida como catequista e agora quer ser sacerdote”. Será possível que tenhamos, graças ao apoio da campanha das Vocações Nativas e a Obra São Pedro Apóstolo, que financiam o seminário sudanês: sacerdotes católicos para um país pressionado pelo Islam.

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por euvimparaquetodostenhamvida

Existem personagens afundados na obscenidade que danam a imagem da Igreja, e vivem soltos precisamente na medida em que superam a exigência de desprestigiá-la cada dia.

Obscenidade

  Roberto Esteban Duque

http://www.religionenlibertad.com – 2 maio 2012

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Desde a Sexta-feira Santa, na qual o Bispo de Alcalá, Reig Pla, formulou abertamente a impiedade contra a natureza e a consideração objetiva do pecado, não tem deixado de expandir-se, tão gloriosa como inícua, a sórdida linguagem da profanação e do insulto, da obscenidade e do barbarismo entre os meios de comunicação, especialmente entre aqueles meios progressistas e pseudo-religiosos, cujo sensacionalismo resulta prejudicial e provocador.

Na Biblioteca Nacional de Espanha, onde se celebra seu Tricentenário, o historiador e ensaista francês Marc Fumaroli, reivindica, no ciclo de conferências ‘O livro’ como universo, a cultura da alma, aquela que está livre da cultura das massas, da cultura do imediatismo berrante, cujo primeiro efeito nocivo é a falta de reconhecimento da obscenidade, baseada em sub-ministrar matéria ofensiva de um modo instantâneo com o fim de inflamar as emoções e criar de maneira impudica o conflito e a mentira.

Existem personagens afundados na obscenidade que danam a imagem da Igreja, e vivem soltos precisamente na medida em que superam a exigência de desprestigiá-la cada dia. São subidas indecentes, jejuns de normas e de inibições, com uma irrefreável tendência à fragmentação e à irresponsabilidade, à arrogância e promoção pessoal. São eunucos éticos que vomitam sua bilis para cobrar de seu amo, e propõem continuamente mudanças na Igreja católica. Creem-se oniscientes, mesmo que nada saibam; são provedores de dramas e enfrentamentos por eles mesmos inventados para vender notícias, diabos que aniquilam todo o bem e enaltecem o nefasto, nutrindo as pessoas de falsidades, falácias e inimizades.

Se os jovens, que pouco ou nada transmitido possuem das gerações precedentes e menos transmitirão eles às que virão depois, têm que ser objeto deste regime de matéria pobre digital, sem futuro, abjeta, e vão ser educados por um progressismo que produz um veneno capaz de aniquilar a autoridade e a verdade, deveriam escapar de suas garras doutrinadoras para voltarem à família e à escola, à religião e à tradição literária e filosófica, à arte clássica, livre do mero produto da técnica e do mercado, como as fontes da verdadeira educação que o homem necessita.

As posteriores e recentes declarações de Monsenhor Martinez Camino, defendendo a postura da Igreja católica e valorizando os pressupostos da ética da sexualidade, numa rodada de imprensa oferecida com motivo da última Assembléia Plenária da Conferência Episcopal Espanhola, tem ferido mais o espectáculo midiático, a obsessão relativista de impor outras normas e modas, as do Mito da História e do Tempo, as do bandido que destrói os valores e abdica da verdade em favor de fomentar o egoísmo e o interesse, o grotesco e subjetivo em detrimento das normas perduráveis.

A persistente tendência para corromper de alguns meios nos deveria animar a prescindir deles, a libertar-nos da intencionada vontade de desintegração do seio da Igreja católica, a menosprezar seu vazio se queremos alcançar um certo grau de conhecimento e virtude, se não ambicionamos ser condenados à uma visão limitada e grosseira que leva a emasculação da alta cultura das raízes e da tradição, da religião e a doutrina que preconiza o amor e a fidelidade frente a qualquer rebelião individual e da massa contra toda estrutura prevalecente.

Quem sabe, não tenhamos que recorrer ao extremo de Yeats para afirmar que não há santo nem bêbado que seja progressista.

Porém se o que nos oferecem certos meios é levantar-nos em armas contra tudo aquilo que nossos antecessores tem observado com veneração filial, e não ceder no empenho até abatê-lo; se a atitude dominante diante da verdade da natureza consiste na heresia de negá-la e legitimar a política frente à religião como modelagem da ordem moral; se se tentam eliminar as distinções e a hierarquia, promover a idéia de um difuso igualitarismo que nivela a todos, sem saber mais qual é o lugar que corresponde a cada um, deveríamos apreciar até que ponto estamos contribuindo à promoção da injusticia e da decadência no aperfeiçoamento moral, religioso e filosófico da pessoa humana.

Roberto Esteban Duque, sacerdote e professor de Teologia Moral

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por euvimparaquetodostenhamvida