Antes do sepultamento abriram-se uma das veias, da qual jorrou sangue. Muitos fiéis têm conseguido favores e graças à invocação do seu nome e aplicação das suas relíquias.

 

Nos primeiros dias de agosto terminara o tratamento balneário do Pe. Liguori e de seus dois companheiros, e Geraldo se preparava para voltar a Iliceto, quando recebeu a notícia da doença grave do Pe. Cafaro, seu diretor espiritual em Caposele.

Esse homem de Deus, uma das colunas da Congregação, adoeceu gravemente sem se iludir sobre o próximo desfecho da sua enfermidade.

Santo Afonso diz ele: “Antes de enfermar predisse mais uma vez a sua morte; há uns meses só falava da eternidade e do céu.

Perguntava a seus companheiros: ‘Dizei-me, que é que se faz no paraíso?’ Um dia disse claramente: ‘Morrerei este ano’.

A 5 de agosto falou ainda mais precisamente da sua morte: ‘Morrerei neste mês, disse, ainda hoje serei atacado da febre!’ E de fato, após a refeição sobreveio-lhe a febre, e três dias depois estava desenganado dos médicos.

Durante a sua enfermidade foi para todos um modelo de edificação:… paciente, manso e obediente; … silencioso e recolhido em Deus, fitando devotamente a imagem do Crucificado e da SS. Virgem.

Quando um dos padres lhe afirmou que, como superior, mandaria fazer orações pelo restabelecimento da sua saúde, necessária ao bem da Congregação, disse o Pe. Cafaro. “Não o façais, é bom que eu morra!”

Na qualidade de reitor-mor, ao saber da sua enfermidade, dei-lhe, de longe, ordem de sarar, se assim aprouvesse a Deus.

Ao recebê-la levantou a mão, sem nada dizer, acenando não ser do beneplácito divino, o seu restabelecimento. 

No início da enfermidade, foi atormentado dos costumados escrúpulos, mas havendo recebido ordem do seu diretor espiritual para que se tranqüilizasse, obedeceu entregando-se inteiramente às mãos da misericórdia divina, e cheio de paz celestial, os olhos fitos no Crucifixo, exalou sua santa alma na presença dos seus confrades desolados, a 13 de a-gosto de 1753 às três horas da tarde, aos quarenta e seis anos de idade.

Temos a convicção certa de que foi gozar de Deus, a quem procurou sempre agradar e servir todos os dias da sua vida.

Quando o sino anunciou a sua morte, foi geral a consternação não só entre os confrades, mas também entre os estranhos que se achavam no convento.

Antes do sepultamento abriram-se uma das veias, da qual jorrou sangue. Muitos fiéis têm conseguido favores e graças à invocação do seu nome e aplicação das suas relíquias.

Essas graças, todas escritas, serão publicadas, quando a Deus aprouver conceder a seu fiel servidor as honras dos altares”.

Até aqui Santo Afonso No momento em que Cafaro exalava o seu derradeiro suspiro, Geraldo, seu filho espiritual, caiu em êxtase.

Ao voltar novamente a si, perguntado pelo motivo de sua alegria, disse: “Acabo de ver a alma do Pe. Cafaro entrar no céu, onde ocupa um lugar ao lado de São Paulo; porquanto com suas pregações, sempre repletas de zelo e ardente amor, conquistou muitas e muitas almas para Jesus Cristo”.

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Examinando-lhe o pulso exclamou: “Como, tendes febre? Não, estais são”. E de fato, a visita levara a saúde ao doente.

 A Vida de São Geraldo Majella (continuação)

Confusão semelhante experimentou outra vez quando se entregava, um tanto sem cautela, a seus exercícios de penitência.

 Ou por esquecimento do lugar em que se achava, ou por se julgar inapercebido, começou a misturar com ervas amargosas, que levava sempre consigo, o prato que lhe acabavam de oferecer.

 A dona da casa, desejosa de conhecer a qualidade da erva, pediu ao irmão que lhe desse um pouco do conteúdo de seu prato.

Achou a comida intragável e teria seguramente vomitado se tivesse ingerido o pouco que tomara na boca. O mesmo deu-se com o Padre Liguori que pretendeu fazer idêntica experiência.

O dom que Geraldo possuía de curar enfermos e desvendar o futuro, manifestou-se também em Melfi nessa ocasião. 

 

 

Miguel di Micheli, jovem de 18 anos, guardava o leito há mais de seis meses. Como a família do enfermo lhe era muito conhecida, Geraldo não se demorou em ir fazer uma visita ao doente.

Examinando-lhe o pulso exclamou: “Como, tendes febre? Não, estais são”. E de fato, a visita levara a saúde ao doente.

Encontrando-se, dias depois, com o jovem curado, fitou-o e disse-lhe em tom de convicção e certeza: “Chegará o dia em que sereis um dos nossos”.

— Sim, replicou Micheli, isso será só quando eu pegar o céu com a mão”. O jovem nutria pensamentos bem diversos e não se sentia absolutamente inclinado a entrar na Congregação a que Geraldo pertencia.

 Não obstante realizaram-se 

in totum as palavras do santo. “Quando eu estava para escolher estado — contou mais tarde di Micheli ao Pe. Tannoia — senti inquietação febril durante seis meses; de repente, não sei como, resolvi-me entrar na Congregação redentorista, embora me procurassem dissuadir disso diversos religiosos e o próprio bispo Basta, que me honrava com sua amizade”. Em fins de 1753 di Micheli entrou no noviciado em Ciorani; viveu como bom religioso na mais exata observância e morreu a morte dos justos em 3 de junho de 1795.

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O servo de Deus contemplou a imagem da Virgem e às palavras: “que beleza possuis aqui” voou, leve como a palha, até a imagem que segurou com ambas as mãos.

CAPÍTULO XII

Alguns dias em Melfi. Morte do Pe. Cafaro

Pouco deteve-se o santo em Iliceto após a sua volta de Castelgrande; algumas semanas depois recebeu ordem de acompanhar o Pe. Estevam de Liguori e mais dois padres que tinham de ir a Melfi em uso de águas .

 A 16 de julho deixou Iliceto.

Em Melfi o irmão era muito conhecido; lá já estivera diversas vezes de passagem ou por breve tempo; mas, como cada vez operara curas prodigiosas, a sua fisionomia imprimiu-se profundamente na memória do povo, sendo o seu nome pronunciado por todos com gratidão.

A família Scoppa, onde Geraldo se hospedara, possuía um diário lavrado pela dona da casa, Ana Scoppa, sobre a vida e atividade de Geraldo em Melfi.

Infelizmente esse precioso documento desapareceu num incêndio em 1838, de sorte que nos são conhecidos apenas dois fatos realizados em visitas anteriores de Geraldo em Melfi na casa da supracitada família: um êxtase e uma profecia.

O primeiro foi ocasionado por uma imagem da SS. Virgem, que se achava colocada em elevada altura na parede da casa; parece que a família chamou para ela a atenção de Geraldo.

O servo de Deus contemplou-a atentamente; o seu coração enternecido inflamou-se de amor para com a SS. Virgem, seu espírito elevou-se a um mundo superior; às palavras: “que beleza possuis aqui” voou, leve como a palha, até a imagem que segurou com ambas as mãos.

 Essa cena abalou os ânimos de todos os presentes, mormente da dona da casa, que caiu sem sentidos.

A profecia tem por objetivo um pai de família gravemente enfermo, cuja mãe aflita fora ter com o servo de Deus, intimando-o dizer-lhe se seu marido morreria daquela enfermidade.

“Não temais, disse Geraldo consolando-a, vosso esposo não falecerá em conseqüência dessa moléstia, mas esta irá ainda longe”. A predileção realizou-se ao pé da letra.

Quando Geraldo chegou a Melfi em 1753 com os padres enfermos, não se hospedou com Scoppa, mas na casa de Victoria Bruno, senhora de muita piedade e mãe do jovem redentorista Amaro Murante.

Também dessa ocasião poucos tópicos chegaram até nós a respeito da estada de Geraldo, que se não diferenciou muito das precedentes.

Para distrair os sacerdotes enfermos, Geraldo cantava hinos à escolha, correndo o teclado do piano que sabia tocar regularmente. Uma vez pediram-lhe cantasse a conhecida estrofe de Metastasio:

Se Dio veder tu vuoi

Guardalo in ogni oggetto

Cercalo nel tuo petto

Lo troverai con te. 

Geraldo não se fez de rogado. O conteúdo do hino secundado pelos maviosos sons do instrumento comoveu-o santamente; uma alegria celestial apoderou-se de sua alma e o contentamento que lhe inundava o coração, arrebatou-o; levantou-se, tomou pelo braço o Pe. Estevam Liguori e pôs-se a dançar na sala com o sacerdote, que em vão tentou desvencilhar-se dos seus braços.

Uma vez, achando-se, na residência do Cônego Leonardo Rossi, este fez a palestra cair sobre as perfeições divinas.

Geraldo afogueou-se, o seu exterior traiu a comoção violenta da sua alma e os sentidos negaram-lhe o seu serviço.

O Cônego notando, a tempo, o estado de Geraldo, correu a buscar água com o qual o umedeceu.

O servo de Deus voltou a si; mas, vendo-se surpreendido no seu caminho ao paraíso, sentiu-se acanhado, e confuso e cabisbaixo interrompeu a visita e voltou logo para casa.

Vida de São Geraldo Majella

 

 

 

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