Porque agora a medida desse amor que era antes ‘eu’, se tornou Jesus, ama teu próximo como ‘eu’ vos tenho amado.

Homilia do  Padre Rubens Miraglia Zani (27/5/11)

Evangelho segundo João 15, 12-17

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi do Pai.

Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e para que produzais frutos e o vosso fruto permaneça. O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. Isto é o que vos ordeno: amai-vos uns aos outros”.

 

Homilia:

 

Esse novo mandamento que Nosso Senhor nos apresenta como sua característica distintiva e portanto característica distintiva do cristão é muito mais radical do que aquilo que nós encontramos no livro do Levítico: ‘ama teu próximo como a ti mesmo’. Porque o refaz radical.

Porque agora a medida desse amor que era antes ‘eu’, se tornou Jesus, ama teu próximo como ‘eu’ vos tenho amado. Muda e muda bastante. Nosso Senhor nos ama até o fim, até o extremo. São João disse: “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. O fim d’Ele mesmo, quando Ele diz na cruz: ‘tudo está consumado’, realmente não há mais nada para se fazer. Tudo está realizado. E aí, vamos encontrar uma nova medida que é extrema, que não conhece limite, que faz com que Ele continue sendo tudo em todos. E é por isso que continuamos.

No trecho do Evangelho de amanhã, Nosso Senhor vai dizer: ‘E assim como perseguiram e odiaram a Mim, assim vão perseguir e odiar vocês, como consequência, porque Eu não sou do mundo e vocês não são do mundo, porque se vocês fossem do mundo, iriam ouvi-los e amá-los, mas vocês não são, então vão ser perseguidos como Eu e também odiados’, e a gente vê como isso acontece pontualmente.

Não sei se os senhores tem acompanhado, nossa imprensa geralmente dá pouco espaço para essas notícias, mas, como os cristãos estão sendo perseguidos pelo mundo de forma tão bárbara, em lugares onde antes estava tudo bem há  anos, não havia tensão, não havia brigas; comunidades que antes conviviam conosco muito bem como na Índia, no Paquistão, no norte da África, Oriente Médio, até nas Filipinas onde a maioria é cristã, diferente de outros onde a maioria é muçulmana.

É impressionante como nós estamos sendo atacados, perseguidos e mesmo aqui dentro de nossa sociedade, onde abertamente não temos uma perseguição aos cristãos, temos uma perseguição ferrenha aos valores cristãos.

O Ministério da Educação gastou 3 milhões de Reais para ensinar as crianças a serem homosexuais. Tem cabimento uma coisa desta? Com a graça de Deus os pais estão reagindo com uma violência tamanha que o Ministério resolveu guardar as garras, não apará-las, mas só guardá-las, daqui a pouco eles investem novamente.

Moralidade, honestidade, probidade ninguém mais sabe o que é isso. Uma tia minha já falecida dizia:’ o mundo é do sem-vergonha’; e ela estava certa. O mundo é, mas a eternidade não, o mundo é do sem-vergonha.

Nosso Senhor vai dizer: ‘ se vocês fossem do mundo seriam bem aceitos, muito bem amados, vocês não são, o mundo retribui com aquilo que ele tem de pior. Isso não nos deve fazer nem temor, nem nos acovardar.

Vejam como os Apóstolos responderam aos nossos irmãos vindos do paganismo. “Pareceu bem a nós e ao espírito Santo”… Nunca mais a Igreja “ousou” usar esta expressão; em nenhum Concílio Ecumênico os padres conciliares usaram mais esta expressão: ‘Pareceu bem a nós e ao Espírito Santo…’

E aí vêm as determinações: não comer a carne oferecida aos ídolos, porque era um meio de se fazer comunhão. Ainda que o cristão soubesse que aquilo não era nada, era só uma estátua e essa carne era vendida mais em conta, mas diziam: ‘se você comesse entrava em comunhão com essa divindade x, y ou z, ainda que o cristão saiba que não há comunhão nenhuma, mas causa escândalo.

Depois outra coisa que causa escândalo aos judeus: carne com sangue, relações impuras, casal em comcubinato, relação homosexual… Numa de suas cartas São Paulo faz um elenco dizendo: ‘nem esse, nem aquele, nada disso, vai entrar no Reino dos Céus e diz: ‘vocês eram tudo isso mas em Jesus Cristo vocês se tornaram gente nova’, uma realidade completamente diferente. Repito: ‘por isso o mundo nos odeia!’

Por isso vamos ser sempre colocados à prova, como estamos vendo somos postos na berlinda; ser cristão é estar no pelourinho constantemente, mesmo quando não existe uma perseguição formal e instaurada.

Existe uma sub-reptícia perseguição que pervade as músicas que se cantam, as novelas que se assistem, os discursos que se fazem e isso vai criando aos poucos uma mentalidade.

A gente muitas vezes despreza a ‘força’ que tem uma música. Santo Agostinho dizia que: ‘o mundo tinha dormido cristão e acordado ariano’, porque Ario era compositor, era um padre infelizmente, mas era um compositor muito feliz e aquilo que ele compunha era muito simples e logo caía no gosto do público. E o que acontecia: as pessoas de tanto cantarem suas musiquinhas, acabavam pensando como ele.

No tempo que eu morava na Catedral, muitas vezes, eu ficava na esquina daquela loja de modas, esperando carona e as pessoas da loja punham músicas para atrair as pessoas. Cristo, misericórdia! Era de fazer corar um frade de pedra! As pessoas passavam na rua cantando junto. Estou falando só da letra, não da péssima qualidade musical. Todas as letras sem excessões eram imorais e um incentivo às safadezas, ao amor livre, à sem-vergonhice, todas, todas sem excessões. Algumas até em estilo sertanejo. Mas nem mesmo a música sertaneja escapa, o ‘Fio de Cabelo’(música) acabou sendo uma linha divisória entre uma música sertaneja decente e uma música que começa insinuar-se cada vez mais, que já não é mais insinuação, é explícita.

Vai falar alguma coisa? Mas, por que isso? É a evolução natural. O mundo está assim, não, o mundo não está, querem que o mundo fique assim, querem. Então, dão isso como algo já patente, normal e você que é o anormal, já que não aceita.

Amar com a medida de Jesus Cristo é rechaçar isso também, por ‘amor’. É dar o melhor que nós podemos e até com ‘risco’, por ‘amor’, para que não se aceite uma coisa por outra. Sexo não é amor, é paixão, é desejo e instinto, mas amor não é; cupidez, avareza, desonestidade não é amor e vai por aí.

Então esse é o ‘meu mandamento’: “Amai-vos uns aos outros”. Nosso Senhor também sabia amar com o chicote nas mãos, quando limpou as mesas dos cambistas, quando mandou tirar do templo de seu Pai tudo aquilo que fazia dela um covil de ladrões e não uma casa de oração.

Por termos nós também uma vida tão íntima e tão unida a Deus, nosso Pai, por Cristo Jesus no amor, como dizia: “Amar para o cristão é uma opção definida livremente e não um sentimento. É uma virtude que nos une a Deus, uma virtude teologal e não um sentimento, de sorte que o nosso testemunho seja explícito, seja eloquente, sempre para a maior glória de Deus, sempre para o bem maior daqueles que nós em Deus amamos.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

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por euvimparaquetodostenhamvida